Marcelo Rebelo de Sousa foi assobiado e apaludido ao mesmo tempo, em Angola, durante a tomada de posse do novo presidente do país, João Lourenço. Um cumprimento habitual no país e o Presidente português, respondeu à altura - de pé - a acenar a todos, quando o seu nome foi anunciado. A receção ao Presidente da República revelou-se calorosa.

Recorde-se que há poucos dias, o vice-presidente da UNITA, Raúl Danda, considera que Portugal se tem “vergado” nas relações com Angola, colocando-se numa “situação de verdadeira dependência”. Não foi só o partido rival do MPLA que fez críticas a Portugal e a Marcelo. 

O investigador universitário angolano Nuno Dala, um dos 17 ativistas condenados a prisão pelo tribunal de Luanda, criticoumensagem de felicitação pela eleição enviada por Marcelo Rebelo de Sousa a João Lourenço, numa altura em que nenhum candidato tinha ainda sido declarado oficialmente vencedor.

Também o ativista angolano Rafael Marques considerou as felicitações de Marcelo a João Lourenço um gesto "péssimo".

Foi em solo angolano, ontem, véspera desta tomada de posse, que o residente da República de Portugal respondeu aos críticos devido à rapidez dos cumprimentos:

Quer o Presidente da República, quer o Governo de Portugal - em simultâneo, no mesmo dia - tomámos posição. Por que razão tomámos posição mais depressa do que outros Estados? Porque o nosso relacionamento é mais intenso do que o relacionamento de outros Estados".

Marcelo Rebelo de Sousa considerou também que as relações são "muito boas", "estaremos sempre juntos e isso é uma escolha dos povos", disse aos jornalistas. "Faz parte da nossa vocação estarmos juntos", acrescentou.

À distância, a partir de Lisboa, também hoje o primeiro-ministro e líder do PS, António Costa, acentuou o grau do adjetivo, dizendo que as relações entre Portugal e Angola "estão ótimas".

40 anos depois, um novo líder

Quase quarenta anos depois, José Eduardo dos Santos dá o lugar a João Lourenço. O MPLA mantém-se no poder. A tomada de posse decorreu em Luanda e contou com mais de mil convidados nacionais e estrangeiros, incluindo 30 chefes de Estado e de Governo.

De Portugal, para além de Marcelo Rebelo de Sousa, marcaram também presença Durão Barroso e Paulo Portas.

A transferência de poder dá-se num contexto de forte crise económica no país. Uma situação que não impede Isabel dos Santos, filha do presidente cessante e presidente da empresa petrolífera Sonangol, de se mostrar otimista face ao futuro.

Estamos a passar, talvez, uma das crises económicas mais difíceis que Angola teve e, nestes próximos anos, terá de haver muito foco na criação de emprego, na criação de oportunidades e, sobretudo, garantir confiança aos investidores para voltarem ao nosso país"

Começa agora uma nova era política em Angola. Os apoiantes esperam que o MPLA consolide o domínio do partido sobre o país. A oposição tem a esperança de que possa representar o início de uma transição para um novo regime.

Marcelo Rebelo de Sousa, que chegou na segunda-feira a Luanda para participar desta cerimónia, considerou "impressionante" a ovação dada a Portugal, que "foi de longe a maior".

"E não foi a mim, foi a Portugal", salientou, destacando os laços de fraternidade entre os dois povos.

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