O Presidente da República afirmou esta quarta-feira que a luta pelos direitos dos pensionistas, reformados e idosos se traduz em causas que "não prescrevem", alertando que a mudança de conjuntura é insuficiente para alterar os problemas de estrutura.

No lançamento do livro "Os Sonhos não Têm Rugas", escrito por três dirigentes da APRe! - Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados, Marcelo Rebelo de Sousa retirou "duas grandes lições", sendo a primeira que "a democracia faz-se não apenas dos partidos, nem dos parceiros económicos e sociais, nem das instituições clássicas", mas de cidadãos, dos movimentos cívicos e das iniciativas cívicas.

"A segunda grande lição é de que há causas que não prescrevem. A luta pelos direitos dos pensionistas e reformados, a luta pelos direitos dos chamados idosos, a luta pelos direitos económicos, sociais e culturais são lutas que não prescrevem. Não prescrevem", defendeu.

O Presidente da República quis chamar atenção para a memória "por vezes curta" dos homens e das mulheres, por pensarem que "a mudança da conjuntura altera os problemas de estrutura".

"Só altera os problemas de estrutura se a conjuntura olhar para a estrutura porque senão a conjuntura fica presa à conjuntura. Esse é um grande tema do presente", avisou.

Marcelo Rebelo de Sousa considera por isso que "a conjuntura só olha para a estrutura se as iniciativas cidadãs obrigarem".

Um "exemplo de uma iniciativa cívica que foi fundamental num momento crucial do nosso país" é como o chefe de Estado vê o aparecimento da APRe!, associação cuja reunião fundadora foi realizada em outubro de 2012, estando na altura PSD e CDS no Governo e o país sob a assistência financeira da troika.

"Como disse Pacheco Pereira, houve uma correspondência entre a iniciativa e o momento", citou o chefe de Estado, considerando que "houve uma convergência no espaço, no tempo e na vontade dos promotores e dos milhares que aderiram a ela" e que "a democracia que se constrói todos os dias precisa destas iniciativas".

O Presidente da República, que esta quarta-feira já tinha tido três momentos de agenda em Lisboa e em Grândola, justificou a presença no lançamento deste livro com a ideia de que "há momentos imperdíveis" na vida.

"Tenho um jantar oficial e o convidado [Príncipe Aga Khan] está à espera no hotel que haja uma indicação que já estou em Belém para poder partir, mas ainda bem que ele está à espera porque há escolhas na vida e a escolha aqui foi não perder este momento", explicou.