O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, acusou esta sexta-feira o candidato presidencial Marcelo Rebelo de Sousa de “estar de acordo com uma coisa e com outra e o seu contrário” e de “nunca dizer o que pretende”.

Marcelo Rebelo de Sousa “tem tido a arte de fazer uma coisa espantosa, que é estar de acordo com uma coisa e com outra e o seu contrário, anda como um intocável, alguém que está acima destas coisas, sem nunca dizer o que pretende”, afirmou Jerónimo de Sousa.

O líder comunista discursava numa sessão pública do PCP, perante várias dezenas de apoiantes, no auditório da Biblioteca Municipal Almeida Faria, em Montemor-o-Novo, no distrito de Évora.

Num discurso de cerca de 30 minutos, em que começou por lembrar as circunstâncias que levaram à formação de um Governo do PS com apoio parlamentar da esquerda, Jerónimo de Sousa dedicou a parte final da sua intervenção às eleições presidenciais do dia 24 deste mês.

“Nesta pré-campanha eleitoral, parece existir um grande equívoco, até dá impressão que não há um candidato da direita”, observou, referindo que “ele existe, o candidato da direita é Marcelo Rebelo de Sousa”.


Para o secretário-geral do PCP, o antigo líder social-democrata, com a sua “habilidade, jeito e inteligência, às vezes, quase cativante, ele até foi à Festa do Avante”, tem conseguido “evitar a questão central”.

“Quer ser Presidente da República para quê? Para cumprir e fazer cumprir a Constituição? As questões de fundo é saber se a quer cumprir e fazer cumprir e, depois, em relação à política de direita, afirma-se ou demarca-se?”, questionou.


Jerónimo de Sousa considerou que Marcelo Rebelo de Sousa “pode iludir muita gente” quando se demarca do PSD e do CDS-PP e notou que os dois partidos “nem sequer disseram que apoiam o candidato Marcelo Rebelo de Sousa, disseram que recomendam o voto”.

“Fazem-no porque têm a sensação que, se o povo português repetir, de certa forma, o voto das eleições legislativas, PSD e CDS não vão chegar para eleger Marcelo Rebelo de Sousa, correndo o risco de ser derrotado nestas eleições ou numa segunda volta”, disse.


O líder comunista disse que o PS “demitiu-se desta batalha”, por existirem duas candidaturas presidenciais da sua área, lamentando que os socialistas façam “um pouco o papel de Pilatos como que lavando as mãos desta responsabilidade”.

Jerónimo apelou ao voto na candidatura de Edgar Silva para “uma contribuição decisiva” para afirmação dos princípios do PCP, mas também para “combater e procurar derrotar o candidato da direita”.