O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse sexta-feira que o país tem de aproveitar a abertura da União Europeia (UE) para resolver "sem remendos" a catástrofe económica e social provocada pelos incêndios de domingo.

Temos de ver até aonde a UE admite ir em termos financeiros, sem colocar em causa a questão do défice e sem penalizar Portugal, para enfrentar a sério o problema", referiu o chefe de Estado, no município de Carregal do Sal, no distrito de Viseu.

Marcelo Rebelo de Sousa, que chegou com duas horas de atraso, salientou que a negociação de Portugal passa por ter um "apoio clássico, com remendos limitados ou uma intervenção de fundo e de maior envergadura".

Isto é uma escolha que tem de ser feita. As populações e os empresários já escolheram o segundo caminho e estão com vontade de não remendar e arrancar com força para o futuro", sublinhou.

Segundo o Presidente da República, é preciso ver se "no quadro europeu há compreensão para esta situação de tragédia" e se a solidariedade das palavras corresponde a solidariedade dos factos.

A solidariedade dos factos "é dizer: sim senhor, vocês podem ir mais longe que nós, atendendo ao caráter extraordinário da situação, admitimos que não sejam penalizados por terem gasto o que normalmente não gastariam".

É de facto uma situação extraordinária e a única ocasião que há para resolver este problema é agora, não é daqui a cinco ou dez anos, aí já não vale a pena", disse Marcelo Rebelo de Sousa, que anda em visita aos concelhos afetados pelos incêndios de domingo, que registaram vítimas mortais.

No município de Carregal do Sal ardeu 68% da área florestal e houve uma vítima mortal e um ferido grave, embora as chamas não tivessem entrado nas povoações que estiveram ameaçadas pelas chamas.