O Presidente da República exige, num artigo publicado no jornal Expresso, que seja "mesmo tudo" apurado, rapidamente sobre causas e resposta ao incêndio de há uma semana em Pedrógão Grande, "no plano técnico, como no institucional".

Neste artigo, Marcelo Rebelo de Sousa elenca três "imperativos da presente hora" na sequência daquele incêndio.

Terminar a árdua missão dos últimos dias, acelerar a reconstrução, e apurar tudo, mas mesmo tudo, o que houver a apurar", escreve Marcelo Rebelo de Sousa.

Considerando que vêm aí "meses muito exigentes", acrescenta: "Merecem, pois, o renovado apoio do Presidente da República, as iniciativas e convergências entre partidos políticos nestas três frentes de intervenção".

O chefe de Estado salienta que "passou uma semana" desde que deflagrou em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, o incêndio que depois se espalhou a concelhos vizinhos e só foi dominado na quarta-feira à tarde, e que matou 64 pessoas e feriu mais de 200.

O Presidente da República tudo fez para criar condições aos operacionais de combate ao fogo em clima de unidade nacional. Entende ser sua missão garantir agora que todas as interrogações sobre factos e responsabilidades tenham uma resposta rápida e exaustiva", sublinha Marcelo Rebelo de Sousa que pede assim pressa nas respostas.

"Uma dor sem medida"

No início deste texto, o chefe de Estado recorda que, na sua comunicação ao país, no domingo à noite, afirmou que se estava a viver "uma tragédia quase sem precedente na história do Portugal democrático", que provocava "uma dor sem medida".

Disse, também, que havia interrogações e sentimentos, que não deveríamos esquecer, mas que a hora era ainda de combate contra os fogos, determinando mobilização total perante essa prioridade. Disse, ainda, que importava começar a reconstrução, urgente, na vida de pessoas e comunidades atingidas pela tragédia. Tudo com a visão nacional, sempre demonstrada pela nossa pátria, ao longo dos séculos, em face das adversidades as mais pesadas e complexas", prossegue.

Depois, o Presidente da República refere que "a fase do combate parece estar a chegar ao seu termo" e que "os passos para a reconstrução já começaram".

É tempo de, sem limites ou medos, se apurar o que, estrutural ou conjunturalmente, possa ter causado ou influenciado, quer o sucedido, quer a resposta dada. No plano técnico, como no institucional. Num prazo que não esvazie o significado do apuramento, nem acabe por retirar utilidade às suas conclusões", defende.