O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, relativizou o distanciamento de Donald Trump quanto à Europa, afirmando que existe “uma tradição isolacionista” dos presidentes norte-americanos quando iniciam funções.

Há uma tradição de muitos presidentes quando começam funções de serem isolacionistas” e depois, com o tempo, “arrepiam caminho”, afirmou Marcelo num debate do programa Fronteiras XXI “O Populismo tem ideologia?”, uma parceria da Fundação Francisco Manuel dos Santos e da RTP, em Lisboa.

Durante o debate, transmitido pela RTP3, o Presidente pediu que se olhe para a História e “não apenas para a véspera” antes de se formularem juízos sobre a presidência de Trump.

Marcelo acredita que Donald Trump também seguirá esse caminho, afirmando que “há coisas que são incontornáveis”.

 

Sistema político mais “plástico” tem evitado populismos em Portugal

Marcelo Rebelo de Sousa referiu-se, também, ao aumento do populismo no mundo e quis deixar uma “palavra de otimismo”, explicando que Portugal tem evitado esta realidade devido ao sistema político ser "mais plástico”.

Para o Presidente da República e ex-comentador político, “uma das diferenças” entre Portugal e outros países europeias em que o populismo tem crescido nos últimos anos é que o sistema político português “tem uma plasticidade, uma capacidade de adaptação dos partidos, da realidade política e de algumas instituições para se ajustar".

Vemos à nossa volta crises em sistemas de partidos em vários países da Europa do Sul, do Centro e menos na Europa do Norte e aqui tem havido plasticidade e capacidade de rejuvenescimento”, afirmou num debate em que também participaram a investigadora da Universidade de York Mónica Brito Vieira e o professor universitário João Pereira Coutinho.

Se se perder essa “plasticidade do sistema” e se houver “uma incapacidade de acompanhar os novos tempos”, alertou, então o populismo também chegará a Portugal.

“Embora espere que não chegue nunca, jamais”, concluiu Marcelo, num debate em que João Pereira Coutinho resumiu numa frase uma solução para travar este fenómeno que tem atravessado a Europa e também os Estados Unidos, com a eleição de Donal Trump para presidente: “A única forma de vencer os populismos é ganhar nas urnas”.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, há hoje sinais preocupantes na Europa e no Mundo que podem explicar o avanço dos populismos, dado que há “camadas da população” que estão a deixar de ser “deixadas para trás” do processo de desenvolvimento.

Ao contrário do que aconteceu no final da década de [9]70, quando estudou o fenómeno do Partido do Progresso, na Dinamarca, cujo líder se apresentou na televisão a dizer que não iria pagar impostos, hoje não existe o choque petrolífero, mas “o desconforto com a realidade” é o mesmo.

Olhando para a realidade de hoje - já não temos o choque petrolífero - mas temos mais do que isso. Muitos dizem que temos uma revolução em vários domínios, tecnológicos, económicos e sociais, que deixa para trás camadas da população”, afirmou.