O ex-presidente do PSD Marcelo Rebelo Sousa disse este sábado que o facto de ter ideias sobre a atuação do Presidente da República é "meio caminho andado", como no código postal, reiterando que a prioridade atual são as legislativas.

Marcelo Rebelo de Sousa participou esta tarde na conferência organizada pela JSD sob o título "Políticos: Sistemas e Pessoas" - que decorre em Santa Maria da Feira e que conta também com a presença de Marques Mendes e de Rui Rio - na qual foi questionado quer pelo público, quer pelos jornalistas, sobre uma eventual candidatura às eleições presidenciais de 2016.

"Naturalmente eu já disse o que penso e vê-se que tenho ideias sobre qual deve ser o magistério do Presidente da República e a atuação do Presidente da República. Acho que neste momento já não é mau. É como o código postal: é meio caminho andado. E há coisas que não convém que sejam feitas depressa de mais", disse durante a conferência.

No final da sua participação - e depois de cumprimentar o ex-presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, interveniente no painel seguinte da conferência - o comentador político foi questionado pelos jornalistas sobre esta declaração, explicando que com duas eleições próximas é muito importante "ter uma ideia do que devem ser os poderes".

Para Marcelo Rebelo de Sousa "não se deve tocar na Constituição em relação ao Presidente, deve continuar a ser eleito pelos portugueses, deve ter os poderes que tem, não deve ser um Presidente presidencialista, não deve intervir na esfera do Governo, deve ser um Presidente situado no centro, nem muito à esquerda, nem muito à direita, da vida política para fazer pontes, para criar convergências".

"E depois sinto que há uma falta de afeto na ligação entre os portugueses e os políticos, inclusive com o próprio Presidente da República, sem estar a querer criticar o atual, sinto que os portugueses por vezes o sentem muito distante", acrescentou ainda.

Perante a insistência dos jornalistas sobre se será candidato, disse apenas que falou de um perfil, reiterando que "uma decisão sobre presidenciais deve ser depois das legislativas" porque "os portugueses vão agora escolher o Governo e só a seguir é que faz sentido escolher o Presidente da República e haver iniciativas em termos de candidaturas presidenciais".

"Penso em geral em relação aos candidatos que estejam para se apresentar - não aqueles que já se apresentaram - que verdadeiramente prioritário neste momento são as legislativas", insistiu.

Defendendo que será "bom que haja um Governo estável no futuro", Marcelo Rebelo de Sousa já não tem a certeza que seja bom que "o atual Presidente, nos próximos meses, continue a mandar mensagens pelos jornais acerca do que tenciona fazer".

"O pior que podia haver para a democracia portuguesa é que o Presidente da República, o atual, passasse a ser um tema de campanha eleitoral, quer legislativa, quer presidencial. Percebo as preocupações. Já toda a gente percebeu que ele quer que saia um Governo forte mas acho que não vale a pena estar a dizer isso ou estar a fazer sair isso nos jornais todos os meses ou todas as semanas", justificou.

Tempo ainda para o social-democrata ser questionado sobre a provocação de Marques Mendes para que Marcelo e Rio falassem um bocadinho a sós e chegassem a um consenso sobre as próximas presidenciais: "isso foi um divertimento do doutor Marques Mendes querer lançar essa ideia".