Marcelo Rebelo de Sousa bem admitiu ao grupo de jovens do Centro Educativo do Cidadão Deficiente, em Mira Sintra, que um dos seus papéis enquanto Presidente, se for eleito, vai ser falar com o primeiro-ministro e “saber as ideias dele”. “Também dá trabalho, não é?”. A pergunta ficou no ar e, já lá fora, aos jornalistas, o candidato presidencial admitiu que os acordos à esquerda exigem virtuosidade por parte do Governo. Ao chefe de Estado, resta-lhe esperança e muita atenção.

António Costa está a “tentar” pesar na mesma balança os compromissos eleitorais e os compromissos resultados dos acordos com BE, PCP e PEV, por um lado. Por outro lado, nota Marcelo, não se quer afastar da meta inferior a 3% e das regras do euro. Isto numa altura em que o Bloco de Esquerda já veio avisar que Bruxelas não pense que Portugal vai continuar a ser um bom aluno.

“Esse equilíbrio é um equilíbrio que temos de admitir talentoso. É um equilíbrio que eu espero que seja atingido. Isso era bom para o país, claro”.


Ao mesmo tempo em que coçava a bochecha, Marcelo Rebelo de Sousa manifestou estar “esperançado que não haja problemas” com o Orçamento em relação a Bruxelas. E, sublinhou, o que tem “ouvido dizer” por parte dos partidos que apoiam parlamentarmente o Governo é que “não querem provocar crises”.

Espera um “esforço” de todos. No Governo, já reconhece que está a ter um “grande” empenho para equilibrar as coisas. Marcelo sabe que a batata quente muito provavelmente lhe pode ir parar às mãos, se ganhar, uma vez que o Orçamento não deverá dar entrada antes de Fevereiro e caberá já ao próximo chefe de Estado promulgá-lo.

O candidato tem dito e repetido que fará “o possível e o impossível” nesse sentido. “Tenho acompanhado com atenção, para não ser apanhado desprevenido, se for esse o caso”.


Maria de Belém e as subvenções: “Não quero pessoalizar”


Como já ontem tinha frisado no último debate presidencial, Marcelo Rebelo de Sousa voltou hoje a dizer que “é muito difícil de perceber” a decisão do Tribunal Constitucional de devolver aos políticos o direito às subvenções vitalícias.

Maria de Belém, adversária presidencial, é uma das deputadas que assinou o pedido de fiscalização. Marcelo fugiu a grandes comentários, dizendo que não queria estar a "pessoalizar".

"Basta dizer apenas que tenho reticências: tenho dificuldade dade em compreender em termos de justiça uma decisão que considere que a crise já passou e que a proteção das expectativas jurídicas explica que haja uma categoria de portugueses que não tenha os sacrifícios que tiveram outras categorias".

Já estar "a analisar o deputado 1, 2, 3, 4, 5", não quer, "sobretudo tratando-se de uma candidata” a Belém.