O ex-presidente do PSD Marcelo Rebelo de Sousa defendeu na quinta-feira que é graças à "reconciliação" dos portugueses com o PSD e o CDS-PP, que domingo a coligação Portugal à Frente poderá obter um resultado "que ninguém esperava".

Num comício na Casa da Criatividade, em S. João da Madeira, o social-democrata referia-se a "reformados, funcionários públicos e jovens, cá dentro e lá fora", que se reaproximaram do PSD e do CDS-PP, por "empatia ou tolerância" para com as suas opções de Governo ou por "incompreensão" quanto à postura do PS.

"Há um ano, há nove meses, há seis meses, mesmo há quatro, ninguém esperava o resultado que vai ser o do próximo domingo - nem os mais frenéticos dos sociais-democratas, nem os mais militantes dos centristas populares", começou por afirmar Marcelo Rebelo de Sousa.

"Esta vai ser recordada como uma campanha especial, porque se partiu derrotado e chegou-se vencedor, de longe! (...). E ao longo dela, PSD e CDS foram-se reconciliando com muitos portugueses que estavam ressentidos com eles", acrescentou.


Para Marcelo Rebelo de Sousa, essa evolução é mais evidente para "quem a vê de fora" e vem, em primeiro lugar, "da cabeça, do coração, da empatia ou da tolerância" que o povo passou a demonstrar para com as medidas mais difíceis adotadas pelo Governo. Em segundo lugar, deve-se também a "coisas incompreensíveis" na liderança socialista "e a primeira delas é o PS não ter assumido o que se passou em 2011".

"Se calhar achou que era uma traição política, mas não era", defendeu o histórico do PSD.

"[Os socialistas] São tão teimosos, tão teimosos, que não dão o braço a torcer, mas ao menos reconheciam que hoje o país está melhor", acrescentou.


Outra postura socialista que gerou incompreensão nos portugueses, segundo Marcelo Rebelo ded Sousa, foi o anúncio do secretário-geral do PS, António Costa, de que, em caso de vitória da coligação Portugal à Frente sem maioria absoluta, os socialistas chumbariam o Orçamento do Estado e inviabilizariam um programa de Governo.

"Isto nunca aconteceu com um governo minoritário em Portugal, de um lado ou do outro. O próprio PS beneficiou dessa viabilização não uma nem duas, mas várias vezes", recordou Marcelo Rebelo de Sousa.

Se agora as sondagens antecipam uma vitória para o PSD e CDS, o social-democrata atribui-a, por isso, à ponderação dos portugueses, que terão decidido que "mais vale um mal seguro (..) do que, realmente, uma coisa que não se percebe".