Marcelo Rebelo de Sousa comparou a privatização da TAP a um casamento que não é o ideal para comentar as declarações do Presidente da República, que disse estar "mais aliviado" com o processo da privatização da companhia aérea. O comentador considerou natural que Cavaco Silva "puxe pelos galões e que puxe pela ideia de que o mandato não terminou tão mal como a oposição diz" e concluiu de forma perentória: "é psicológico".

"Penso que o Presidente [da República] o que quis dizer, provavelmente, é que, depois de tantas tentativas frustradas de venda da TAP, às tantas, é como aquela noiva que ninguém quer. E depois tentou-se casar uma vez, duas vezes, três vezes e quando a família consegue finalmente casar a noiva tem uma sensação de alívio."


À margem de uma iniciativa do PSD/Gaia, o comentador político da TVI considerou que, "quando se tenta uma, duas, três vezes e não é possível em melhores condições, o casamento feito em recurso pode até ser muito feliz, mas à partida dir-se-ia que não é o casamento ideal", considerando, por isso, que este processo de privatização "não é o casamento ideal".

"Não se espera de um Presidente que diga: olha o meu mandato está a acabar da pior maneira possível, não está a correr bem. Não se vendeu bem a TAP, a situação está a melhorar, mas não tanto como eu desejaria. O que se esperaria de alguém que está a terminar o mandato é que dissesse: olhe finalmente há aqui um alívio, estamos melhor do que já estivemos."



O Presidente da República disse, na noite de domingo, estar "mais aliviado" relativamente à privatização da TAP, considerando que tudo aponta para que a transportadora aérea possa permanecer autónoma, com uma base de operações em Portugal e satisfazendo o serviço público.

O consórcio Gateway, que integra o empresário norte-americano David Neeleman (49%) e o empresário português Humberto Pedrosa (51%), propõe-se a pagar um valor mínimo de 354 milhões de euros pelo grupo, mas este montante pode subir para 488 milhões de euros, dependendo da 'performance' financeira da empresa ao longo de 2015.

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou ainda que "não é um drama" a eventual ausência de uma maioria absoluta nas próximas legislativas, mas admitiu que, na atual situação económico-financeira, um Governo minoritário "pode ser um problema".

O comentador foi questionado pelos jornalistas sobre uma eventual candidatura a Belém, considerando ser "prematuro especular sobre uma matéria que só vale a pena pensar depois das legislativas", porque aquilo "que faz sentido agora é debater os dois grandes projetos para o Governo do país e dar a vitória a um ou a outro, se possível com maioria absoluta", porque "se não for, mais problemas trará para o próximo Presidente da República e para o país".

"Acho que, para o país, podemos estar muito próximos de uma situação em que não há maioria absoluta. Não é um drama. Eu fui líder da oposição e viabilizei o Governo de António Guterres por três vezes, em três orçamentos. Ele não tinha maioria absoluta."


Na opinião do ex-líder do PSD, Guterres "aguentou uma legislatura, largamente por causa da viabilização" que lhe promoveu.

"Mas temos que convir que, na atual situação económico-financeira do país, da Europa e do mundo, é mais complicado um Governo minoritário e, portanto, pode ser um problema para o Governo, pode ser um problema para o Presidente da República futuro e pode ser um problema para os portugueses."


Interrogado sobre a notícia avançada pelo semanário "Sol" na semana passada, segundo a qual o líder do PSD e primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, preferia a candidatura de Fernando Nogueira à de outros nomes do partido, como Marcelo Rebelo de Sousa, Pedro Santana Lopes ou Rui Rio, o comentador político considerou "perfeitamente natural".

"Nós, na vida, temos soluções ideais e, para Pedro Passos Coelho, a solução ideal para Belém seria Fernando Nogueira, que aliás é uma pessoa com muita qualidade política, mas é uma solução ideal tornada impossível porque Fernando Nogueira está fora da política e não quer voltar à política. Mas fica bem ao líder do PSD dizer que se pudesse fazer a escolha ideal, escolhia aquele."


Advertindo que a "vida normalmente é feita não com o ideal, mas com aquilo que é possível", o ex-líder do PSD respondeu aos jornalistas que "só depois das legislativas é que se tem noção daquilo que é possível, embora isso não impeça que haja candidatos - já há vários - e nada impede que avancem antes das legislativas".