O antigo líder do PSD Marcelo Rebelo de Sousa disse esta quarta-feira que a questão da crise sobre as dívidas do primeiro-ministro à Segurança Social «está morta», já que o PS não pediu a demissão do Governo.

«A partir do momento em que o Partido Socialista, embora criticando, não acena com a demissão, nem com qualquer crise, a questão da crise está morta», disse Marcelo Rebelo de Sousa em declarações à agência Lusa.

O antigo líder do PSD, e também comentador político, acrescentou que o facto do Partido Socialista não pedir a demissão do Governo de Passos Coelho «era uma evidência, mas foi bom que ficasse claro», classificando essa atitude de «ilógica».

«Fica no fundo apenas a esquerda mais radical, a oposição mais radical, a pedir a demissão, portanto, digamos, seguimos em frente para o período eleitoral», afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, que falava à margem da apresentação do livro «O meu Expresso», de Francisco Jaime Quesado, em Lisboa.

No final do debate quinzenal com o primeiro-ministro no parlamento, hoje dominado pela situação contributiva de Pedro Passos Coelho, o líder parlamentar do PS, Ferro Rodrigues, considerou-se insatisfeito com os esclarecimentos do chefe do Governo, sustentando que este caso atingiu a autoridade democrática, a confiança e a credibilidade do primeiro-ministro.

Interrogado sobre a posição que será adotada pelos socialistas na sequência deste caso, Ferro Rodrigues referiu que o PS «já pediu a demissão deste Governo há mais de um ano» e que neste momento se está «à beira de o Presidente da República marcar eleições legislativas dentro dos prazos constitucionais».

«Essa questão vai ser avaliada pelos portugueses no momento em que votarem», advogou, antes de considerar que «a autoridade democrática» do primeiro-ministro «está francamente atingida», assim como «a credibilidade e a confiança».

No debate, Passos Coelho disse que apesar de reconhecer as suas «falhas» e aceitar sujeitar-se a um «escrutínio especial» por exercer um cargo público, não aceitará que se faça «manipulação política» relativamente à sua situação contributiva e fiscal.

O primeiro-ministro assegurou que nunca deixou de pagar aquilo que devia ao fisco ou à Segurança Social e considerou que a sua autoridade não sai «nem um bocadinho beliscada» desta polémica, argumentando que não obteve «nenhum favor» nem do Estado nem da Segurança Social.