O Presidente da República considerou esta quarta-feira que se arrisca a "ser loucamente apegado à ideia do afeto", depois de ouvir Francisco Pinto Balsemão falar na "loucura" dos tempos da formação do Expresso e apontá-lo como "um inovador".

Marcelo Rebelo de Sousa e o presidente do grupo Impresa, Francisco Pinto Balsemão, estiveram juntos esta quarta-feira no Palácio da Ajuda, em Lisboa, durante cerca de duas horas, numa iniciativa da SIC Notícias, do Expresso e da Nos, designada "Círculo de Inovação".

A propósito da inovação, Francisco Pinto Balsemão recordou "o arranque em 1973 do projeto do jornal Expresso, em cujo desenvolvimento o então jovem licenciado Marcelo Rebelo de Sousa tanto participou, e no qual desempenhou um papel relevante naqueles tempos já distantes".

Para o antigo primeiro-ministro, aqueles foram tempos "de muita necessidade de inovação, de muita criatividade na construção de um produto, que necessitava de algum grau de loucura".

"Loucura, que é uma palavra que ainda não ouvi aqui hoje, mas que me parece apropriada quando se fala de inovação. E no nosso caso concreto, de luta inovadora também contra a censura", prosseguiu.

Terminado o seu discurso, Francisco Pinto Balsemão deu a palavra a "um inovador chamado professor doutor Marcelo Rebelo de Sousa", e o Presidente da República não deixou de o elogiar e de lhe responder, no final da sua intervenção, também a propósito da inovação no mundo empresarial.

"Dizia o doutor Francisco Pinto Balsemão, é preciso algum Governo grau de loucura. Eu sou conhecido pela minha heterodoxia. Portanto, ouvir isto é música celestial para os meus ouvidos. Ele sabe que é música celestial para os meus ouvidos, porque me conheceu com 20 e poucos anos", declarou o chefe de Estado.

Dirigindo-se aos jovens empresários, Marcelo Rebelo de Sousa disse-lhes: "Eu admito que nestas jovens gerações seja mais difícil encontrar, com o vosso sucesso, tanta gente louca. Provavelmente são menos loucos do que seria desejável. Mas não percam o afeto, a inteligência emocional. É muito importante".

"Eu corro o risco de também ser loucamente apegado à ideia do afeto. Mas é fundamental. O vosso objetivo são os consumidores, o vosso objetivo são pessoas de carne e osso. O vosso objetivo são, não números, mas pessoas, cada uma delas diferente da outra. É óbvio que é possível tratá-las por agregados, nós sabemos isso, economicamente. Mas há um lado de inteligência emocional que é fundamental", acrescentou.

O Presidente da República insistiu que a inteligência emocional "é fundamental na política, é fundamental na sociedade, é fundamental na economia" e é "o que se espera de grandes talentos na vida empresarial portuguesa".

Em relação ao Expresso, Marcelo Rebelo de Sousa sustentou que aquele semanário "antecipou a mudança" que iria acontecer em Portugal e elogiou "a visão de Francisco Pinto Balsemão", dizendo que "hoje passou largamente o testemunho, mas continua com a sua juventude presente no projeto".