O candidato presidencial Marcelo Rebelo de Sousa defendeu hoje que é preciso preservar o espírito de concertação social e que esse deve ser um objetivo de todos os órgãos de soberania.

"Não podemos perder o espírito de concertação social", afirmou o antigo presidente do PSD. "O desejável é que quem tem funções de responsabilidade nos vários órgãos de soberania permanentemente respeite, preserve e valorize a concertação social", acrescentou.


Marcelo Rebelo de Sousa salientou o papel do chefe de Estado nesta matéria, defendendo que "o Presidente da República, em tudo o que estiver ao seu alcance, deve fazer pedagogia, deve tentar explicar aos portugueses, a começar nos responsáveis políticos, por que é que não se pode perder o espírito de concertação social".

Neste almoço debate, o único candidato presidencial da área do PSD considerou que Portugal se encontra dividido em "dois países políticos" e declarou a intenção de exercer as funções de Presidente da República "estabelecendo pontes, estimulando diálogos e tolerância" entre essas duas partes, na procura de "consensos políticos de regime".

Num enquadramento das funções presidenciais, o professor universitário de direito disse que "o magistério presidencial, do ponto de vista político, tem de ser imparcial", nunca se confundindo "com lideranças partidárias", e "tem de garantir o equilíbrio no exercício do poder político, garantindo que o maior número de portugueses se sintam representados nesse poder político".

"Depois, deve promover consensos. Essa é uma preocupação para mim nuclear. Começando nos consensos sociais", acrescentou.

Foi neste contexto que Marcelo Rebelo de Sousa defendeu a importância da concertação social, apontando-a como "um passo importantíssimo para a coesão social".

"Custa muito a criar esse espírito de concertação social. Dirigindo-se àqueles que questionam se não é possível o poder político tomar medidas sozinho, à margem da concertação social, ou aproximar-se mais de alguns parceiros sociais do que de outros consoante as suas orientações políticas, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu que "possível é, mas não é desejável".

No final da sua intervenção, o ex-comentador político da TVI prometeu estar em contacto permanente como os parceiros económicos, sociais, culturais e com os partidos políticos, se for eleito Presidente da República, considerando que a sua vida o preparou para as funções presidenciais.

"A minha vida foi uma vida de preparação para este momento, mesmo quando não pensava que ele viesse a acontecer. Objetivamente foi. Podia não ter sido, mas foi. Aquilo que eu conheci de economia e de finanças, é útil agora. O que conheci de política interna, política internacional, é útil agora. Os consensos que ajudei a criar em situações muito difíceis, são úteis neste momento", declarou.


É "prematuro" falar das suas escolhas


Conselho de Estado


"Na altura devida, naturalmente que eu farei as escolhas mais consonantes com os meus objetivos em termos de mandato, tomando em consideração a composição pré-existente do Conselho de Estado, como imaginam - porque isso não pode ser ignorado, a composição que existir naquele momento do Conselho de Estado".