O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, manifestou este domingo, apoio ao Governo na tarefa de defender a Caixa Geral de Depósitos como "uma instituição nuclear e uma instituição de controlo público do sistema financeiro português".

"Neste domingo a minha presença aqui, a presença do Presidente da República, quer dizer gratidão por 140 anos de história, esperança em relação a outros 140 - senão mais - de futuro e sobretudo o apoio ao Governo na tarefa de defender a Caixa tal como ela é, uma instituição nuclear e uma instituição de controlo público do sistema financeiro português", disse Marcelo Rebelo de Sousa na comemoração dos 140 anos da Caixa Geral de Depósitos (CGD), que decorreu em Lisboa.

O Presidente da República sublinhou que “há consenso hoje” em Portugal relativamente ao controlo público da Caixa Geral de Depósitos.

“Mesmo aqueles que, em algum momento – e foi também o meu caso, já lá vão alguns anos – admitiram outro tipo de evolução para a CGD, tendem hoje a considerar que a CGD como instituição financeira pública, de controlo público, é uma peça fundamental no sistema financeiro português”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, reafirmando ao ministro das Finanças, Mário Centeno, que também participou nas celebrações, o seu apoio nessa tarefa.

De acordo com Marcelo Rebelo de Sousa, "é isso que os portugueses desejam, é isso que eles necessitam, é isso que o Presidente da República com a sua presença hoje aqui veio dizer".

O Presidente da República deixou ainda uma palavra “de reconhecimento” aos portugueses por acreditarem no sistema financeiro português “mesmo nos momentos mais difíceis”, lembrando que as instituições financeiras atravessaram “desafios muito difíceis” nas últimas décadas na Europa e em todo o mundo.

Veículo de resolução do crédito malparado é prova de confiança

O Presidente da República referiu este domingo que o veículo de resolução do crédito malparado já foi utilizado em outras economias e "é uma prova de confiança" e "uma ajuda adicional para fortalecer um sistema financeiro" como o português.

Marcelo Rebelo de Sousa falava aos jornalistas à margem da comemoração dos 140 anos da Caixa Geral de Depósitos, que decorreu no balcão deste banco em Belém, tendo sido questionado sobre a ideia defendida, num entrevista ao DN e à TSF, pelo primeiro-ministro, António Costa, de que seria "útil para o país encontrar um veículo de resolução do crédito malparado".

"Essa é uma fórmula que já foi ponderada ou utilizada noutras economias e portanto nesse sentido não é uma realidade nova, que longe de significar um juízo negativo sobre o sistema financeiro, pelo contrário, olhando para outros exemplos, é uma prova de confiança no sistema financeiro e uma ajuda adicional para fortalecer um sistema financeiro como o sistema financeiro português", observou.

O Presidente da República disse que viu a entrevista do primeiro-ministro e destacou que António Costa "manifestou a sua confiança no sistema financeiro, na banca portuguesa".

"O que disse é que, como aconteceu noutros países, há fórmulas de encarar a questão de certo tipo de passivos. Isso aconteceu no país vizinho [Espanha], está a acontecer noutros países, ou pelo menos a ser equacionado", vincou.

No entanto, daquilo que Marcelo Rebelo de Sousa disse ter percebido, a mensagem de António Costa foi "de confiança na banca portuguesa".

Presença de Draghi no Conselho de Estado foi “um sucesso”

O Presidente da República classificou este domingo a presença do presidente do Banco Central Europeu no Conselho de Estado como "um sucesso" e "muito enriquecedora", defendendo o hábito "à ideia de que a Europa não é uma realidade longínqua".

No final das comemorações dos 140 anos da Caixa Geral de Depósitos, Marcelo Rebelo de Sousa foi questionado pelos jornalistas sobre a presença de Mario Draghi no primeiro Conselho de Estado do mandato, que teve lugar na quinta-feira, e foi peremtório.

"Estou muito feliz com poder dizer que, da ótica do Presidente da República, foi um sucesso a vinda do presidente do Banco Central Europeu", afirmou.

 

Para Marcelo Rebelo de Sousa "foi uma ocasião única e muito enriquecedora e é assim que se deve ler globalmente a mensagem" deixada por Draghi.

Questionado sobre as críticas de ingerência dos assuntos internos que foram feitas à esquerda do espectro político, o chefe de Estado afirmou que "as instituições europeias fazem parte da nossa vida porque isso é resultado da partilha de soberania".

"Nós temos que ter a noção de que hoje a realidade é a seguinte: a supervisão do sistema financeiro pertence em primeira linha ao BCE, no caso português como no caso de outras economias europeias. Funciona um pouco como um super banco central para estas economias", acrescentou.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, em Portugal todos estão habituados e acham normal que "o banco central português formule as suas opiniões, faça as suas análises, divulgue os seus relatórios sobre a economia portuguesa".

"Temos que nos habituar à ideia de que a Europa não é uma realidade longínqua", pediu, defendendo que não haja admiração "com aquilo que é natural na vivência feita, como se viu na elaboração do orçamento, de diálogo, de confronto de pontos de vista entre instituições nacionais e instituições europeias".

Para o chefe de Estado, a vinda de Draghi "foi um momento singular e único", que permitiu a todos conhecessem "em pormenor o pensamento do presidente do BCE não apenas nas palavras que leu, mas naquilo que disse enquanto esteve em Lisboa".

Novo ministro “é uma grande figura da Cultura portuguesa”

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou também este domingo que o novo ministro da Cultura é "um grande poeta, um grande ensaísta e uma grande figura da Cultura portuguesa, além de ser um magnífico embaixador".

A página oficial do Presidente da República anunciou este domingo o embaixador Luís Filipe Castro Mendes, atual representante de Portugal junto do Conselho da Europa em Estrasburgo, é o novo ministro da Cultura e tomará posse na quinta-feira.

No final das comemorações dos 140 anos da Caixa Geral de Depósitos, Marcelo Rebelo de Sousa foi questionado sobre a nomeação do novo ministro da Cultura, tendo afirmado conhecer "muito bem a personalidade" daquele que foi seu contemporâneo na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

"É um grande poeta, um grande ensaísta, é uma grande figura da Cultura portuguesa, além de ser um magnífico embaixador", elogiou.

O Presidente da República recordou que foi o ‘site' da Presidência que comunicou que o chefe de Estado "tinha decidido nomear o senhor ministro da Cultura".

"Se decidiu nomear o senhor ministro da Cultura, é porque obviamente [o Presidente da República] concorda com o nome do senhor ministro da Cultura. Só tomará posse depois da ida do Presidente da República a Estrasburgo uma vez que lá desempenha funções de representante do Estado português no Conselho da Europa", vincou.