O Presidente da República disse esta terça-feira que o processo que se segue à decisão do Reino Unido de sair da União Europeia "ganharia em ser desdramatizado mas rápido", desvalorizando, agora, a questão da eventual aplicação de sanções a Portugal.

"O Conselho Europeu tem um papel muito importante na definição dos termos das negociações que têm de ser feitas, na escolha dos negociadores, naquilo que eu já disse que ganharia em ser desdramatizado mas ser rápido, para que todos pudessem conhecer em que termos é que se vai processar o futuro depois da decisão britânica”, defendeu.

Marcelo Rebelo de Sousa respondia aos jornalistas à margem de uma conferência em Lisboa sobre religião, que não constava da sua agenda divulgada à comunicação social.

Questionado se está preocupado com a eventual aplicação de sanções a Portugal, o chefe de Estado salientou que, neste momento, está “sobretudo preocupado com a necessidade de a Europa tomar uma posição unida e coesa a seguir à votação britânica”

“Tudo o que seja divisão na UE, tudo o que seja incapacidade de definir regras para o futuro imediato é negativo para a UE. A UE tem de mostrar que é capaz de superar este desafio e vencê-lo, o resto é menos importante”, disse.

Os eleitores britânicos decidiram que o Reino Unido deve sair da UE, depois de o 'Brexit' (nome como ficou conhecida a saída britânica da União Europeia) ter conquistado 51,9% dos votos no referendo de quinta-feira.

Logo na sexta-feira, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciou a sua demissão, com efeitos em outubro, e os líderes da UE defenderam uma saída rápida do Reino Unido.