O vice-presidente do PSD, Marco António Costa, disse hoje à Lusa, a título pessoal, que a atuação do Presidente da República após a tragédia dos incêndios “devia servir de exemplo ao Governo e não de contestação”.

O dirigente socialista Porfírio Silva acusou hoje o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, de "aproveitamento politiqueiro" da tragédia dos incêndios, no mesmo dia em que o jornal Público noticia que o Governo terá ficado "chocado" com o teor da comunicação ao país feita pelo chefe de Estado na sequência dos incêndios que deflagraram no dia 15 de outubro e que provocaram 45 mortos.

Em declarações à Lusa, o deputado e vice-presidente do PSD Marco António Costa afirmou ter ficado preocupado com “os sinais de irritação que o Governo e a maioria de esquerda evidenciam sempre que alguém discorda dos seus pontos de vista”, considerando que são “um mau sinal democrático”.

“O senhor Presidente da República tem tido uma atitude genuína de comoção, de proximidade, de humanismo, que deveria servir de exemplo ao Governo e não de matéria de contestação”, criticou Marco António Costa.

O dirigente social-democrata defendeu que houve “falhas graves da parte do Estado e do Governo no exercício das suas responsabilidades públicas” nos incêndios dos últimos meses e que já provocaram mais de cem mortes.

“A atuação que o Presidente da República tem tido é no mais escrupuloso cumprimento dos seus deveres constitucionais e, mais, da visão que os portugueses têm do que deve ser a missão do Presidente da República”, acentuou.

Para o vice-presidente social-democrata, a presença do chefe de Estado no terreno “é fundamental para que rapidamente o Estado não se esqueça das obrigações que tem perante as pessoas”.

“Era o que mais faltava que, numa fase em que falhou a proteção e a defesa das populações por parte do Estado, falhasse também a reparação dos danos”, alertou.

O Presidente da República também já se pronunciou sobre o assunto e, questionado se encontra razões para o Governo estar chocado com a sua atuação, respondeu que "chocado ficou o país com a tragédia vivida" nos incêndios e condenou o "diz que disse especulativo".

Na mensagem que dirigiu na semana passada ao país, feita a partir da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, no distrito de Coimbra, o Presidente da República advertiu que usará todos os seus poderes contra a fragilidade do Estado que considerou existir face aos incêndios que mataram mais de 100 pessoas, e defendeu que se justifica um pedido de desculpa.

Marcelo Rebelo de Sousa prometeu que "estará atento e exercerá todos os seus poderes para garantir que onde existiu ou existe fragilidade, ela terá de deixar de existir".

Depois, exigiu uma "rutura" com o passado e aconselhou "humildade cívica", afirmando: "É a melhor, se não a única forma de verdadeiramente pedir desculpa às vítimas de junho e de outubro - e de facto é justificável que se peça desculpa".

O chefe de Estado defendeu ainda que é preciso "abrir um novo ciclo", na sequência dos incêndios de junho e do dia 15 de outubro, e que isso "inevitavelmente obrigará o Governo a ponderar o quê, quem, como e quando melhor serve esse ciclo".