O Presidente da República sublinhou esta quarta-feira que a República, a democracia e Portugal "são inseparáveis do mérito", elogiando o trabalho desenvolvido por Guilherme de Oliveira Martins, Joaquim Sousa Ribeiro, Manuel Alegre e Barbosa de Melo.

Na cerimónia em que condecorou o antigo presidente do Tribunal de Contas Guilherme d'Oliveira Martins, o ex-presidente do Tribunal Constitucional Joaquim Sousa Ribeiro e o histórico dirigente socialista Manuel Alegre, e atribuiu postumamente a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique ao ex-presidente da Assembleia da República Barbosa de Melo, o chefe de Estado disse tratar-se de uma "justa homenagem a quem merece o galardão pelo serviço cívico, cultural e de uma vida inteira de dedicação à causa pátria".

Referindo-se aos antigos presidentes do Tribunal Constitucional e do Tribunal de Contas, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lembrou, em Lisboa, as "funções particularmente complexas, difíceis e exigentes nos tempos que vivemos" desempenhadas por Sousa Ribeiro e Oliveira Martins.

Mas, as Repúblicas em democracia são como a pátria, inseparáveis da língua e da cultura e o reconhecimento do mérito na língua e na cultura”, acrescentou Marcelo Rebelo de Sousa, numa referência a Manuel Alegre.

Por último, o Presidente da República falou ainda da "carreira ao serviço da democracia" exercida por Barbosa de Melo, lamentando que a sua morte tivesse impedido a atribuição da condecoração em vida.

Na sua breve intervenção, o chefe de Estado falou ainda da eleição de António Guterres no Conselho de Segurança para secretário-geral das Nações Unidas, considerando que o dia em que se comemora a Implantação da República é também um "dia do júbilo, pelo reconhecimento interno e sobretudo externo dos melhores para o desempenho de funções internacionais".

O patriotismo faz-se da unidade nacional que houve em torno de uma candidatura, da solidariedade institucional entre órgãos de soberania, da excelência da política externa e da diplomacia portuguesa e, depois, dos méritos notáveis desse candidato", declarou, sem nunca referir o nome de António Guterres.

Marcelo Rebelo de Sousa, que já tinha anteriormente felicitado o antigo primeiro-ministro, acrescentou ainda que, cada vez que um português vê "o seu mérito excecional reconhecido no mundo", isso faz todos os portugueses sentirem-se "mais orgulhosos na pátria".

"É isso o patriotismo sadio, o patriotismo democrático, o patriotismo também republicano", realçou.

Apesar do discurso patriótico, Marcelo disse que a melhor notícia do dia foi a indicação de António Guterres para secretário-geral da ONU.