O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse hoje que o primeiro-ministro, António Costa, é um "otimista militante" desde o tempo em que era seu aluno, com o chefe de Estado a definir-se também como otimista, mas "racional".

"Desde que foi meu aluno sempre o achei um otimista militante. Eu também era um otimista, mas, até porque era mais velho, menos militante", vincou Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República foi questionado pelos jornalistas em Lisboa, à margem de uma conferência da Associação de Pensionistas e Reformados (APRe!), onde interveio, sobre palavras por si proferidas na quinta-feira numa cerimónia no Porto.

Na inauguração do novo instituto de investigação do Porto, que definiu como "um momento histórico", Marcelo declarou partilhar o mesmo espírito de "otimismo crónico e às vezes ligeiramente irritante" que considerou habitual no primeiro-ministro, António Costa.

"Eu veria do outro lado da História, um pouco com o espírito habitual do senhor primeiro-ministro, aquele seu otimismo crónico e às vezes ligeiramente irritante", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa na inauguração do edifício-sede do i3S - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto que contou também com a presença de António Costa.

"Eu sou sempre um otimista racional", disse hoje o chefe de Estado, quando questionado sobre as palavras ditas no dia anterior.

Costa diz que referência de Marcelo tem a ver com aposta antiga

Entretanto, o secretário-geral do PS já afirmou que a referência do Presidente da República ao seu "otimismo crónico" e "ligeiramente irritante" vem do tempo em que foi aluno de Marcelo Rebelo de Sousa e lhe ganhou uma aposta.

António Costa falava aos jornalistas após ter votado no primeiro dia das eleições diretas para o cargo de secretário-geral do PS, numa das mesas da Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL).

Confrontado com estas afirmações proferidas pelo chefe de Estado, António Costa começou por frisar que tem com o atual Presidente da República "uma relação muito antiga", tendo sido seu aluno na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, e defendeu que Marcelo Rebelo de Sousa estava nesse momento "a gracejar".

"Creio que essa figura tem a ver com uma história já muito antiga, em que apostei que a melhor nota que teria no curso seria ele [Marcelo Rebelo de Sousa] a dar-me - e eu ganhei a aposta. Foi a melhor nota que tive e, pronto, isso diz tudo não só sobre a confiança, mas também em relação à forma como nos temos relacionado ao longo dos anos", respondeu o líder socialista.

António Costa disse ainda que no desempenho das funções de primeiro-ministro e de Presidente da República "há obviamente respeito institucional".

"Pela minha parte, tenho a máxima consideração pelo Presidente da República, mas compreendo que, enfim, tendo em conta uma relação pessoal antiga, o senhor Presidente da República tivesse querido gracejar em torno da nossa atitude, aliás partilhando do meu otimismo", sustentou.

Numa mensagem política, o secretário-geral do PS defendeu então que "ser otimista não é desconhecer as dificuldades, mas não nos deixarmos vencer pelas dificuldades e, sobretudo, termos confiança de que as dificuldades são possíveis de enfrentar e de resolver".

"Quem está no Governo tem o dever de incutir essa confiança ao conjunto dos cidadãos, porque é evidente que o país tem muitas dificuldades - não vou agora repetir o que disse durante quatro anos de oposição -, mas tenho a certeza que os portugueses saberão vencer esta crise. E há bons sinais nesse sentido", acrescentou, numa nova nota de otimismo.

PR diz-se “guardião da Constituição”

Antes de gracejar pelo otimismo do primeiro-ministro, o Presidente da República interveio numa conferência com reformados e pensionistas no centro do debate e prometeu, enquanto "guardião da Constituição", a defesa dos seus direitos.

O Presidente da República, declarou Marcelo, não pode faltar à "defesa dos direitos económicos, sociais e culturais dos cidadãos, ou seja, à defesa da constituição".

O chefe de Estado falava na sessão de encerramento da conferência nacional da Associação de Pensionistas e Reformados (APRe!), entidade que enalteceu pelas "legítimas reivindicações sociais" que trouxe a debate "num momento específico da vida nacional", no contexto de assistência financeira internacional a Portugal.

"Há outras formas de lutar pela mesma causa, e a causa está lá, é a mesma", a defesa de direitos, prosseguiu Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República lembrou ainda o debate "recorrente" sobre o sistema de pensões em Portugal: "É um debate que só ganha em ser feito sem dramatização e sem uma coloração de natureza demasiado doutrinária ou ideológica", vincou.

Por outro lado, o chefe de Estado teceu críticas à Europa que, advoga, "tem adiado a reflexão e sobretudo a decisão sobre temas" como a questão dos refugiados.

Nesse ponto em concreto, enalteceu a "consciência tranquila de Portugal", já que não só através do Governo mas também da "sociedade civil" há "felizmente" um entendimento neste problema.

As palavras de Marcelo Rebelo de Sousa foram proferidas no dia em que se ficou a saber que Portugal receberá, até ao final do mês, mais 191 refugiados, que se somam aos mais de 230 já chegados ao abrigo do sistema de recolocação.

"Portugal já recebeu 230 refugiados, sobretudo eritreus chegados a Itália, esperamos um novo grupo (...) e, até final do mês, devem chegar mais 191 pessoas", disse a ministra portuguesa da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, que participou em Bruxelas numa reunião com os seus homólogos da União Europeia.