A fogaça, um bolo típico de Santa Maria da Feira, já tinha saído do forno, pelas mãos do padeiro Marcelo Rebelo de Sousa. Já na rua, o candidato presidencial foi confrontado, pelos jornalistas, com o apelo de Passos Coelho ao voto na sua candidatura. Um apelo que teve uma nuance de chama acesa dando a entender que o ex-primeiro-ministro poderia voltar a Governar o país. O candidato presidencial acabou por apagar o fogo: se for eleito, não vai atuar para “agradar” a partidos. Espera que o Executivo de Costa cumpra o mandato.

Marcelo disse que não viu as declarações, mas que lhe contaram. O discurso de Passos foi “no fundo, a reafirmação da recomendação de voto, agora assumido pelo líder”, começou por fazer notar. Estamos, acrescentamos nós, a meio da campanha eleitoral. E aquela parte do Presidente com “independência” que possa vir a colaborar com este ou outro Governo que venha a entrar em funções?

“Tá bem, mas isso aí compreende que cabe ao Presidente independente exercer o seu mandato acima dos partidos e os partidos têm de compreender isso. Mesmo o partido a que eu pertenço tem de compreender que o Presidente está noutro plano, e aprecia as coisas de outro plano”.


O candidato sublinhou, em Santa Maria da Feira, numa arruada, a naturalidade de cada partido lutar pelos seus princípios. Nada contra, mas o Presidente deve estar noutra onda. "Está acima, está ao nível do interesse nacional. Muitas vezes agrada o partido, se não agrada, é a vida".

Marcelo recusa partir para o cargo de Presidente da República com eleições antecipadas no horizonte. “Eu desde o início disse que espero que corra bem este Governo, e que possa cumprir a legislatura”.
“O PR deve estar acima dos partidos e no centro da vida política portuguesa, não puxar para um lado nem para o outro”.

Apoios à direita chegam para todos?


As declarações de Passos foram proferidas num comício de apoio à candidatura de Ricardo Figueiredo, candidato às eleições intercalares de S. João da Madeira. Este, fez questão de estar na Feira para cumprimentar Marcelo.

No meio da rua, o candidato a Belém notou que o PSD reconhece, e o líder disse-o no discurso, que a independência da sua candidatura. Vê, no entanto, com bons olhos que o eleitorado social democrata e centrista “aparentemente tem correspondido” à recomendação de voto, à luz das sondagens que lhe dão a vitória à primeira volta.

Mas Marcelo prefere sublinhar a abrangência do voto que espera recolher. “As percentagens são de tal maneira que obviamente significa a convergência de eleitores de muitos lados, de esquerda, de direita do centro”.

Depois, livrou-se da bolha de fotógrafos, repórteres de imagem e jornalistas que o interromperam no percurso para obter a reação ao discurso de Passos. “Agora, está aqui uma senhora que quero beijocar há muito tempo e vocês impediram. É uma perda nacional. Uma grave lacuna”, gracejou.

Dali, partiu para a missa nos... Passionistas.