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Alegre critica o PEC, as privatizações e Cavaco

Candidato à Presidência de República critica medidas do Governo

Por: Redacção / CP  |  19- 3- 2010  21: 17

Manuel Alegre criticou, esta sexta-feira, o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), principalmente o abrir caminho às privatizações, sublinhando sempre que compreende a situação difícil que o Governo tem de enfrentar.

«É certo que é necessário consolidar as contas públicas, mas isso não é um fim em si mesmo, é um meio para promover o crescimento e o bem-estar. Eu sei que a porta é estreita e não há grande margem de manobra. Os compromissos assumidos pelo Estado têm de ser cumpridos e a discussão sobre o PEC não pode ser descontextualizada do contexto europeu, mas não me parece que haja neste PEC um suficiente esforço de partilha», disse, num jantar em Bragança.

Para o candidato à Presidência da República, «não é moralmente aceitável que enquanto se impõe o congelamento de salários na Função Pública haja gestores de empresas de capitais públicos aos quais se atribuem milhões de euros de prémios e benefícios». «É um escândalo para a saúde da República», criticou.

Por isso, Alegre chama a atenção para o facto de «o esforço de contenção que é pedido no PEC» ser «desigualmente distribuído». «Deviam pedir sacrifícios ao sector financeiro e aos grupos sociais mais privilegiados», propôs.

O histórico socialista não gostou de ver o Governo a prever as privatizações da REN e dos CTT. «Não se está a pretender a melhoria da sua gestão e uma resposta ao interesse público, mas apenas a querer obter rapidamente uma receita extraordinária», lamentou.

«Estas privatizações comprometem, talvez irremediavelmente, o chamado Estado estratega. A via que se está a seguir tem um custo social excessivo que vai recair sobre a classe média e média baixa. Temo que seja um risco muito grande», afirmou.

Críticas a Cavaco Silva

Manuel Alegre lançou também várias críticas a Cavaco, sobretudo sobre a sua entrevista à RTP.

«O Presidente da República não deve usar da palavra apenas em proveito próprio, falar mas nada dizendo, pronunciar-se mas nada propondo. É um exercício vazio e nulo de propósito», disse.

Para Alegre, «o papel do Presidente da República não é o de gerir silêncios, nem dizer apenas o que lhe convém, quando lhe convém».

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