Manuela Ferreira Leite, antiga ministra das Finanças de um governo PSD, já não é governante nem deputada da oposição e, no entanto, o seu nome foi mencionado esta quinta-feira na Assembleia da República durante a discussão do OE2015, numa intervenção de Ferro Rodrigues, líder parlamentar do PS, na sua interpelação ao Primeiro-ministro.

Atualmente comentadora da TVI24, Manuela Ferreira Leite não gostou de ver o seu nome mencionado. «Das coisas que mais me incomoda em política é o oportunismo político. É algo que não suporto. E, ainda por cima, quando sou utilizada como instrumento desse oportunismo político. O incómodo é ainda maior».

«Esta invocação é um oportunismo político inaceitável», voltou a frisar.

«Durante dois anos ou três fui uma feroz adversária do Partido Socialista, nunca me ouviram. Se nessa altura me tivessem ouvido e percebessem o que estava em causa, talvez o país não estivesse como está», reiterou Manuela Ferreira Leite.

Não se esqueça que o Partido Socialista na altura me chamava Cassandra, considerando que era um arauto do pessimismo, ou seja, desprezavam exatamente tudo o que eu dizia. E agora, no debate mais importante do ano, o argumento que utilizam é ouvirem aquilo que eu disse quando eles não ouviram nunca aquilo que eu disse?», disse.

Mas, não foi só o PS que não ouviu Ferreira Leite. «No meu próprio partido aquilo que eu dizia era considerado nalguns casos aselhice política – porque se achava que eu devia dizer o contrário, mesmo que não pensasse – e, por outro lado, nem sempre todo o partido esteve de acordo comigo», acrescentou.
 
«Não esqueço uma coisa nem outra. Não esqueço os silêncios que houve tanto no meu partido como no partido da oposição», concluiu.

«Aquilo que eu digo, digo como cidadã, como pessoa que considera que há certos aspetos que devem ser discutidos». «Aquilo que eu digo não é a pensar se dou argumentos ou se deixo de dar argumentos. É rigorosamente aquilo que eu penso», o que «significa que eu sempre disse o mesmo», pelo que, se não for a linha do partido, «é o risco de se ser coerente».
 

«Aquilo que as pessoas deviam estar à espera é o que é que o Partido Socialista tinha para dizer ao Governo, não era o que é que a Manuela Ferreira Leite tem a dizer ao Governo, criticou a comentadora, reforçando que «foi um momento lastimável. Provavelmente do ponto de vista político muito folclórico. Se política é só isto, então não vamos longe».

Este é o primeiro orçamento a seguir à troika, pelo «devia ter sido apresentado um retrato exato do que é o país e como é que está o país depois da aplicação do programa da troika».
 
Sempre «considerei que o programa de ajustamento era errado para o nosso país e, portanto, o Governo só se pode sentir atingido no sentido de, aparentemente, ter abraçado com todo o entusiasmo aquele programa» que «conduziria o país a uma pobreza irreversível» e não há nada que nos diga que há uma alteração do paradigma económico, mas «Deus queira» que todos os indicadores positivos se venham a verificar.