Diferenças, apesar de tudo, face ao atual Governo, encontrou Manuela Ferreira Leite em Rui Rio e na recente entrevista do presidente do PSD à TVI, considerando que, em termos de políticas económicas, "no que respeita a nossa liberadade para escolher caminhos, ela está ditada por Bruxelas".

Para a antiga ministra das Finanças e presidente do PSD, as diferenças entre governos portugueses passam pelas "Incidências nuns aspetos ou noutros". Daí que tenha visto com agrado, Rui Rio defender que "devemos apostar mais no investimento e nas exportações, em vez do consumo".

Ora, quando se pensa que se deve apostar mais no investimento, não se pode pensar em política do PS, apoiado pelos partidos de esquerda", defendeu Ferreira Leite, considerando que essa linha de atuação passa por "uma política fiscal simpática para as empresas, legislação laboral que leve os empresários a investir e, sobretudo, por estabilidade na legislação laboral".

Na ótica de Ferreira Leite, Rui Rio, na entrevista à TVI, fez por se diferenciar da atual política do PS, "que fez propostas e prometeu coisas, pensando que depois as podia fazer em termos de cobertura orçamental".

O ministro das Finanças ganhou credibilidade, mas provavelmente não ganhou amigos dentro do PS e entre os que o estão a apoiar", ironizou Manuela Ferreira Leite, considerando que "a política orçamental não permite" responder às "reivindicações que estamos a assistir a toda a hora".

Houve promessas que foram feitas como se não houvesse restrição orçamental. Mas existe e está em vigor. E admito que o ministro das Finanças não abdique dela nunca", afirmou a antiga ministra.

PSD ao centro

Ferreira Leite descortinou ainda na entrevista de Rui Rio à TVI, uma "clareza" em reposicionar o PSD no centro político do país, com a qual concorda, defendendo que "a política só tem sentido útil se não se estiver a pensar numa estratégia de captar votos".

Não posso deixar de sublinhar que o progresso do país, as reformas do país ocorreram sempre quando o PSD conseguiu congregar o centro", lembrou Ferreira Leite.

Para a comentadora e antiga presidente do PSD, "a única forma do partido poder crescer é concretizar as medidas que são a nossa ideologia". 

Uma das coisas piores que aconteceu ao partido foi ter um rótulo de direita. A própria ida a eleições em coligação com o CDS,sob uma sigla sem setas, retirou.lhe essas imagem de centro", expôs Ferreira Leite.

Interesse do país

Manuel Ferreira Leite considerou ainda que a postura de Rui Rio vai "obrigar o PS a aclarar a sua posição" face ao seu eleitorado, algum do qual não estará de acordo com o apoio dos partidos mais à esquerda. E não vêm no atual presidente do PSD um desejo de criar um bloco central.

A ideia que se lhe quer colar por apoiar o PS sempre em nome do interesse do país não tem nada a ver com bloco central. Tem a ver com o por-se os interesses do país à frente dos do partido", defendeu Ferreira Leite, exemplificando com a sua atuação na presidência social-democrata, após perder as legislativas de 2009 para o primeiro-minsitro socialista, José Sócrates.

Depois de ter perdido as eleições com o engenheiro Sócrates, evitei que o Governo dele caísse, em nome do interesse nacional. Senão, teríamos uma situação pior que a da Grécia", lembrou Manuela Ferreira Leite, afirmando que se bateu "praticamente sozinha" por não criar uma crise política. E não por vontade, segundo a própria, de pretender uma união política com os socialistas: "Mas algum dia me passou pela cabeça fazer um bloco central com o PS daquela altura!?".