Mau remédio para a antiga ministra das Finanças é a decisão de transferir as instalações do Infarmed de Lisboa para o Porto, que tem continuamente sido contestada pelos funcionários. Na 21.ª Hora da TVI24, Manuela Ferreira Leite questionou a opção do Governo, que apelidou de "consolação", quando falhou a "hipótese da Agência Europeia do Medicamento vir para Portugal".

Há estudos que defendem que, quando é necessário tomar uma opção de qualquer tipo ao nível da Administração Pública, tem de se responder a duas perguntas: precisamos mesmo de mudar e temos dinheiro para pagar essa mudança. E ambas têm de respostas de "sim". Senão, é melhor ficar como está", salientou Ferreira Leite.

Para a antiga ministra das Finanças, no caso da transferência da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde de Lisboa para o Porto, ambas as perguntas têm resposta negative. Porque "não se percebe vantagem dessa mudança" e porque há custos associados de monta.

Percebe-se do relatório da comissão, que pode haver instalações mais adequadas aquele tipo de funcionamento. Mas custa só 17 milhões de euros. Que consideram que, nos próximso 15 anos, poderão ter um lucro adicional da odem dos oito milhões e qualquer coisa. Não sei se esta análise custo-benefício é suficientemente convincente", afirmou Manuela Ferreira Leite.

Caça ao voto

Alvo de crítica para Manuela Ferreira Leite é também a política casuística, orientada para o curto prazo, numa espécie de "caça ao voto" que abriu, como referiu há dias o líder parlamentar do PS, Carlos César.

As medidas de curto prazo não têm qualquer tipo de efeitos no future e é preocupante que não consigamos ver mediads de longo prazo que estejam a ser executadas", afirmou Ferreira Leite.

Para a antiga ministra das Finanças e presidente do PSD, só mesmo na questão dos incêndios e defesa florestal "temos alguma coisa que deu trabalho, a criar estruturas e projetos com duração mais longa, mas isso foi fomentado por um processo contrário".

Direi que é depois de casa roubada, trancas à porta. E eu gostaria de ver trancas à porta antes de casa roubada", afirmou Ferreira Leite.

Manuela Ferreira Leite lembra que "a visão de longo prazo normalmente não dá votos", algo que se viu no projeto do CDS para acabar com o adicional ao ISP no Parlamento.

Foi transmitida a ideia de que se aprovava a baixa do imposto e logo a seguir ia-se pagar menos pela gasoline, quando isso não é verdade. Quem vai beneficiar são as operadoras e a petrolíferas e quando muito os donos das bombas", sustentou Ferreira Leite.

Santa Casa

No habitual comentário às quintas-feiras, Manuela Ferreira Leite comentou ainda a notícia TVI sobre a participação da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa no capital do Montepio Geral, de somente 75 mil euros, "provavelmente cobrados à porta da igreja no fim da missa".

A entrada da Santa Casa passou a ser simbólica. Resta saber porque existe a necessidade desse simbolismo", adiantou Manuela Ferreira Leite, que antecipa uma hipótese, ainda que considerando serem desejáveis explicações.

Será para dar a ideia a todas as instituições que também podem dar um contruibuto? Mas fica a dúvida. Acho que não seria pior dar-se uma explicação sobre esta material. Porque se fica a pensar que só entra para não se dizer que não entra, mas também não arrisca", concluiu.