Mário Centeno, por um lado, e os ministros da Saúde e Educação, algo à deriva, a agir casuisticamente, sem um plano definido, é como a antiga ministra Manuela Ferreiar Leite avalia os recentes problemas sentidos entre a tutela dos serviços públicos e os profissioanis do setor.

Todos sabem que estão a ser enganados", sustentou a antiga ministra das Finanças, no seu comentário na 21.ª Hora da TVI24, falando do braço de ferro que se arrasta, entre professores e Ministério da Educação, com a questão da reposição do tempo de serviço como pedra de toque.

Tanto o Governo, como os sindicatos, ambas as partes têm problemas. O Governo tem o problema de de não abrir o ano letivo de forma tranquilla, o que marca sempre. Por outro lado, os sindicatos também percebem que estão a ficar mal vistos perante a opinião publica, que tem um peso grande", refere Ferreira Leite.

Para a antiga presidente do PSD, o recente acordo para fazer contas sobre os custos da reposição do tempor de serviço, no meio do diferendo que se arrasta entre professores e ministro, mostra que "estão a tentar fingir que estão a iniciar conversações".

Começa-se por dizer que se está a fazer um estudo sério e profundo sobre o impacto do tempo de serviço. Então não havia nenhum estudo?", questionou Ferreira Leite.

"Hemorragia no SNS"

À espera do debate sobre o Estado da Nação, marcado para esta quinta-feira no Parlamento, Ferreira Leite, considera que o atual ministro das Finanças "não está à espera de mais nenhum tipo de despesa que não esteja prevista no Orçamento".

Desta forma, não estará contabilizada a redução para as 35 horas semanais na Função Pública e outros encargos necessários, num momento em que se percebe "uma certa ligeireza com que foram feitas promessas em campanha eleitoral".

Daí as exigências, "de quem votou a pensar nessas benesses", algo que atravessa, por exemplo, o setor da Saúde.

Foram contratados mais médicos e enfermeiros, mas não se diz que houve uma saída massiva. O Serviço Nacional de Saúde teve uma hemorragia tremenda de profissionais e por mais que sejam os que entram, não conseguem compensar", afirmou Ferreira Leite, para quem, o mais importante para a população, passa pelos tempos de espera que os utentes têm de enfrentar.

Para a antiga ministra, "o problema do SNS está a tornar-se muito sério e não se ve solução. Nem do ministro das Finanças, nem do ministro da Saúde a mostrar que há um plano, porque só fala dos problemas locais".

Há uma ausência total de projeto, que não pde ser desligada da ação do ministro das Finanças. Que me parece tranquilo com a segurança orçamental e essa tranquilidade é preocupante, porque significa que há problemas que não vão ser resolvidos", concluiu Manuel Ferreira Leite.