Com o objetivo de "fazer diferente pela felicidade dos portugueses", o Partido da Terra (MPT) apresenta-se às eleições para melhorar os índices ambientais e de competitividade do país, querendo eleger do primeiro deputado com deficiência em Portugal.

Foi o cabeça de lista do MPT pelo círculo de Lisboa, Manuel Ramos, que em entrevista à agência Lusa assumiu o objetivo de conseguir a sua eleição e uma "representação parlamentar sólida". O advogado invisual quer pôr o assunto na agenda política porque "há um milhão de pessoas com deficiência em Portugal".

"Quando for eleito serei o primeiro deputado com deficiência em Portugal, segundo sei. Não só a sociedade tem algum dever de ajudar as pessoas com deficiência, mas nós também temos alguma responsabilidade na condução política do país", assumiu.


A primeira bandeira do MPT para as próximas eleições - às quais se apresenta em todos os círculos eleitorais - é a felicidade dos portugueses, incluindo nos objetivos "a Felicidade Interna Bruta que se contrapõe ao conceito do Produto Interno Bruto", para além da aposta "em melhorar os índices ambientais e os níveis de competitividade do país".

"O MPT é um partido de centro, moderado, que pretende captar a confiança das pessoas, é um partido de compromissos e não vamos estar a prometer a lua", garantiu, mostrando-se convicto de que partido vai "ficar muito acima do resultado das últimas eleições legislativas", quando obteve 23 mil votos e foi a oitava força política mais votada.


Questionado sobre a perda do efeito Marinho e Pinto - depois de nas eleições europeias o MPT ter sido a surpresa da noite, elegendo dois eurodeputados, o ex-bastonário entrou em rutura com o partido e concorre a estas legislativas pelo PDR - Manuel Ramos considerou que "as eleições não são comparáveis", mas garante que "o MPT não renega o passado de Marinho e Pinto, que ajudou o partido".

"Mas o partido já existia antes do Dr. Marinho e Pinto e vai continuar a existir depois do Dr. Marinho e Pinto", enfatizou, destacando que o presidente do MPT, que cumpre o mandato no Parlamento Europeu, "não se candidatou às eleições legislativas precisamente porque achou que é importante estar na Europa a defender Portugal".


Um dos temas centrais da atual campanha eleitoral não ficou de fora da entrevista à agência Lusa, tendo o candidato a deputado do MPT afirmado que "o único ponto em que os partidos maioritários chegam a acordo é que tem que haver cortes nas pensões, só que uns dizem que é um plafonamento horizontal e outros dizem que é um plafonamento vertical".

"O MPT entende que a solução passa por reinverter a pirâmide demográfica. Para o MPT deve-se promover a natalidade, com medidas de curto, médio e longo prazo", defendeu.

Segundo Manuel Ramos, "a Europa não tem ido bem na questão dos refugiados e por arrastamento o Governo também não tem ido bem nessa questão", defendendo que esta é uma temática "complexa porque há que distinguir entre refugiados e migrantes económicos".


"O MPT, como partido humanista que é, que defende a pessoa humana, considera que os refugiados devem ser todos aceites na Europa desde que a Europa os possa aceitar logisticamente", disse, acrescentando que "quando for eleito deputado" a primeira medida a apresentar será na área dos refugiados.

Para o advogado, o pecado capital do atual Governo foi a insensibilidade social - que levou a um Portugal "deslaçado" - enquanto a grande virtude foi "a coragem de tomar algumas medidas importantes para procurar resolver uma situação muito grave", mas que alerta que "ainda não está resolvida".