O presidente da Federação Distrital do Porto do PS, Manuel Pizarro, afirmou hoje que os socialistas não podem querer reformar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) com os que foram sempre contra a criação deste serviço público.

Em 1979, quando na Assembleia da República foi votado o projeto de lei que criou o SNS, que tinha como primeiros três subscritores Antonio Arnaut, Mário Soares e Francisco Salgado Zenha, houve quem votasse a favor e os mesmos de sempre – o PSD e o CDS – votaram contra”, começou por dizer Manuel Pizarro ao intervir no 22.º Congresso Nacional do PS, na Batalha, distrito de Leiria, ouvindo-se, nesse momento, assobios.

O dirigente socialista acrescentou: “E é por isso que nós não podemos querer reformar o SNS com aqueles que desde sempre foram contra a ideia generosa de um serviço público que coloca o melhor do desenvolvimento da medicina ao serviço de todos os cidadãos sem qualquer discriminação”.

“Essa é a nossa ambição”, continuou Manuel Pizarro, reconhecendo que se vive ainda hoje “muita insatisfação com o que o atual Governo está a fazer no SNS”.

Referindo que, ainda assim, o Governo socialista baixou as taxas moderadoras, reorganizou serviços e aumentou o número de profissionais, o dirigente admitiu que “dois anos e meio não são tempo suficiente para resolver tudo aquilo que o Governo anterior, do PSD e o CDS, fez para destruir” o SNS.

“Mas vamos em frente, a única forma de honrar o legado de Arnaut é fazer do SNS como sempre foi, uma bandeira central da afirmação, não só do PS, mas de uma forma de ver o mundo que corresponde aos nossos valores e que nos une e que tem connosco parceiros disponíveis para alinhar nas reformas necessárias com uma visão e essa visão é mais Serviço Nacional de Saúde, mais serviço público ao serviço de todos os portugueses”, afirmou.

António Arnaut, fundador do Serviço Nacional de Saúde e cofundador do PS, morreu na segunda-feira, em Coimbra, aos 82 anos.

O Congresso do PS, que começou na sexta-feira, termina no domingo.