Os dirigentes socialistas Manuel dos Santos e Fernando Jesus manifestaram-se surpreendidos e também contra a conclusão do acordo político entre o presidente eleito da Câmara do Porto, o independente Rui Moreira, e o socialista Manuel Pizarro.

Rui Moreira e o líder socialista da concelhia do Porto, Manuel Pizarro, chegaram hoje a um acordo «para o Governo» do Porto, no âmbito do qual se atribuem «pelouros a vereadores eleitos pelo PS».

Em declarações à agência Lusa, Manuel dos Santos, membro da Comissão Política Nacional do PS e do Secretariado da Federação do Porto, afirmou «discordar completamente do acordo».

«Esse acordo vai tornar o PS irrelevante nos próximos quatro anos na segunda cidade do país, porque se introduz um obstáculo na criação de uma alternativa ao Governo de direita de Rui Moreira no Porto. Enquanto presidente da concelhia do Porto do PS, Manuel Pizarro toma essa decisão de fechar o acordo no âmbito das suas competências, mas discordo do que fez, porque as consequências políticas poderão ser desastrosas», afirmou o ex-eurodeputado socialista e apoiante desde o primeiro momento de António José Seguro no cargo de secretário-geral do PS.

Manuel dos Santos manifestou-se também surpreendido com o anúncio do acordo entre Rui Moreira e Manuel Pizarro.

«Acho estranho que tenha sido fechado o acordo, porque estava combinado com Manuel Pizarro que haveria uma segunda reunião com o Secretariado da Federação do PS sobre os detalhes das negociações com Rui Moreira», justificou o dirigente do PS.

No mesmo sentido, também Fernando Jesus, membro do Secretariado da Federação do Porto e vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS, manifestou-se contra o acordo com Rui Moreira, envolvendo uma corresponsabilidade de gestão e a atribuição de pelouros no executivo municipal do Porto.

«Por uma questão de responsabilidade, sempre defendi que o PS não deveria bloquear o executivo municipal do Porto, mas considero que seria suficiente um acordo programático. A concelhia do Porto teve legitimidade para decidir o contrário, mas, a partir de agora, pode estar em causa a autonomia estratégica do PS na segunda cidade do país», advertiu Fernando Jesus.

Fernando Jesus disse ainda esperar que Manuel Pizarro concretize «aquilo a que se comprometeu perante o Secretariado da Federação do Porto do PS».

«Está combinado que ele [Manuel Pizarro] leve a proposta de acordo ao Secretariado da Federação do Porto do PS. Espero que cumpra», insistiu o dirigente socialista.