O socialista Manuel Pizarro considerou, este domingo, que o acordo de coligação pós-eleitoral com o presidente da Câmara do Porto eleito «é uma belíssima notícia» e que «honra a tradição do PS», ultrapassando diferenças e alguns calculismos partidários.

Dirigentes do PS/Porto contra acordo entre Moreira e Pizarro

O presidente eleito da Câmara do Porto, o independente Rui Moreira e o socialista Manuel Pizarro chegaram hoje a um acordo, com duração de quatro anos, «para o governo da Cidade do Porto», atribuindo «pelouros a vereadores eleitos pelo Partido Socialista».

Em declarações à agência Lusa, o cabeça de lista pelo PS à Câmara do Porto nas eleições autárquicas sublinhou que o «objetivo essencial» é «fazer o melhor possível para ajudar as pessoas da cidade».

Na opinião de Manuel Pizarro «é um sinal muito positivo» que os dois lados envolvidos tenham «sido capazes de pôr para trás as diferenças e alguns calculismos que sempre existem nos partidos, colocando acima de tudo o interesse da cidade e dos portuenses».

De acordo com o socialista, as negociações para este acordo «decorreram num ambiente cordial e de lealdade mas foram ao mesmo tempo negociações muito profundas».

Interrogado sobre se teme que esta coligação possa comprometer a ação futura do PS em termos políticos, Manuel Pizarro foi perentório: «Nós temos sempre que definir, na vida política, qual é a nossa prioridade.»

«Eu acho que este acordo honra a tradição do PS, um partido que coloca acima de tudo e à frente de tudo os interesses das pessoas e as preocupações da sociedade, neste caso da sociedade portuense», enalteceu.

Para o dirigente socialista, «é preciso que todos, incluindo o PS, extraiam algumas lições do que foi uma vitória independente na Câmara do Porto» e «seria um gravíssimo erro que nós continuássemos, perante esse resultado, a pensar nos estritos limites da política partidária».

«Não há democracia sem partidos mas também me parece evidente que os partidos não esgotam a democracia. Temos aqui uma oportunidade para, em conjunto, trabalhar em prol do Porto», sublinhou.

Sobre a atribuição dos pelouros no executivo camarário, questão que falta ainda ver definida, Manuel Pizarro considerou que «a partir do momento em que foi possível estabelecer este acordo político e garantir com ele a participação do PS na governação municipal», as questões que relativas «às pessoas e aos lugares serão relativamente fáceis de resolver».

«O PS do Porto, com este compromisso, revela que infelizmente no país não é possível avançar mais no sentido de um consenso para resolver os graves problemas que Portugal enfrenta devido ao sectarismo doentio e à agenda política errada da maioria PSD/CDS», criticou.

O independente Rui Moreira venceu as eleições para a Câmara do Porto com maioria relativa, ficando a candidatura do PS, encabeçada por Manuel Pizarro, em segundo lugar e a do PSD, liderada por Luís Filipe Menezes, na terceira posição.