O PS manteve, nas eleições de domingo, a maioria nas 12 câmaras do distrito de Coimbra que liderava desde 2013, continuando os sociais-democratas com a presidência dos restantes cinco municípios.

Com a reeleição de Manuel Machado, os socialistas continuam à frente da Câmara de Coimbra, mas sem voltarem a alcançar a maioria absoluta (cinco eleitos em 11), enquanto a coligação PSD/CDS-PP/PPM/MPT foi a segunda força mais votada (três vereadores).

O presidente da Câmara Manuel Machado é natural de Sever do Vouga, mas reside em Coimbra desde 1973, cidade onde se formou em Economia. Foi presidente da Câmara Municipal entre 1989 e 2001 e está novamente à frente da autarquia desde 2013. Nos anos antes da primeira eleição para presidente, Manuel Machado já tinha sido vereador nos mandatos de Mendes Silva (Recursos Humanos, da Administração Geral, das Finanças e do Património) e António Moreira (Habitação Social e da Educação).

Além de Presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Manuel Machado é presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) desde 2013. Já tinha sido vice-presidente da ANMP entre 1995 e 2002.

Durante a campanha autárquica deste ano, o nome de Manuel Machado esteve associado a uma promessa vista pelos adversários como insólita: transformar o aeródromo Bissaya Barreto num aeroporto civil. O autarca também fez promessas de mais transportes de todas as freguesias para Coimbra (incluindo aos fins de semana) e internet gratuita em todas as freguesias do município.

CDU lamenta não ter aumentado mandatos

O movimento Somos Coimbra, liderado pelo antigo bastonário dos médicos José Manuel Silva, que concorreu pela primeira vez, conquistou o terceiro lugar, com dois representantes.

A CDU, coligação integrada pelo PCP e 'Os Verdes', reelegeu o seu vereador, perdendo o movimento Cidadãos por Coimbra (CpC) o seu único representante no executivo municipal de Coimbra.

O vereador da CDU em Coimbra, Francisco Queirós, reconduzido no cargo, lamentou que a coligação não tenha conseguido reforçar a sua votação e o número de mandatos nos órgãos autárquicos do concelho.

Além da reeleição do vereador, a Coligação Democrática Unitária apostava nestas eleições no “aumento do número de votos e de eleitos”, o que não foi alcançado, disse Francisco Queirós à agência Lusa.

Houve uma quebra de votação e esse objetivo não foi totalmente alcançado”, afirmou o vereador reeleito, que viu baixar a sua votação em mais de 1.400 votos relativamente às autárquicas de 2013.

PSD lidera em Cantanhede

Nas outras três cidades do distrito, o PSD continua a liderar apenas em Cantanhede, com maioria absoluta, permanecendo, por outro lado, os socialistas à frente das câmaras da Figueira da Foz, aumentando a vantagem de cinco para seis eleitos (em nove lugares), e mantendo em Oliveira do Hospital seis representantes, em sete possíveis.

Nos outros concelhos do distrito, tanto socialistas como sociais-democratas mantiveram as respetivas maiorias: o PS em Condeixa-a-Nova, Góis, Lousã, Miranda do Corvo, Montemor-o-Velho, Tábua, Penacova, Soure e Vila Nova de Poiares, o PSD em Arganil, Mira, Pampilhosa da Serra e Penela.

O PSD, contrariando as suas expectativas, não conseguiu recuperar Miranda do Corvo nem Montemor-o-Velho, onde os presidentes que não se recandidataram em 2013 (por força da limitação de mandatos), Fátima Ramos e Luís Leal, respetivamente, regressaram, em vão, para recuperarem os lugares perdido há quatro anos para o PS.

Como em Miranda do Corvo e em Montemor-o-Velho, também na Figueira da Foz, Oliveira do Hospital, Condeixa-a-Nova, Góis, Lousã, Tábua, Penacova, Soure e Vila Nova de Poiares foram reeleitos, pelo PS, os respetivos presidentes.

Em Mira, Pampilhosa da Serra e Penela foram reconduzidos os sociais-democratas que ocupavam as presidências destas autarquias, enquanto em Arganil e Cantanhede, Luís Paulo Costa e Helena Teodósio sucedem aos também sociais-democratas Ricardo Alves e a João Moura, respetivamente, que agora concluem o terceiro mandato consecutivo.

Passos revelou “grande dignidade”

O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, revela “grande dignidade” pelo modo como assume as suas funções e a derrota eleitoral nas autárquicas de domingo, sustentou o líder distrital dos sociais-democratas de Coimbra, Maurício Marques.

A posição de Passos Coelho em relação a estas eleições é, como é seu hábito, “ponderada” e “revela a grande dignidade com que encara as funções” de presidente do partido, disse hoje à agência Lusa Maurício Marques.

Os resultados das autárquicas deste domingo representam para o PSD “uma derrota demasiado pesada para que não se reflita sobre a estratégia do partido”, reconhece Maurício Marques, sublinhando que “a liderança e o líder do partido têm de refletir”.

“Aguardamos com tranquilidade” a decisão de Passos Coelho (em relação à liderança partido), assegura o deputado e antigo presidente da Câmara de Penacova (1997-2009), defendendo que, neste tipo de situações, “as decisões não devem ser tomadas em cima dos acontecimentos”.