O novo ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, reiterou no parlamento que a aposta no conhecimento é um “compromisso para o futuro” que passa por políticas públicas que promovam um acesso alargado à ciência e ao ensino superior. O governante teceu duras críticas às políticas do anterior Governo, que considerou “erradas” e de terem resultado num afastamento do país para com a Europa.

“Promover o acesso geral ao conhecimento exige uma aposta clara nos mais jovens e nas futuras gerações . […] O acesso ao conhecimento é um direito inalienável de todos os portugueses.”


O "discípulo" de Mariano Gago criticou as políticas públicas seguidas pelo anterior Governo, destacando os cortes nos apoios do Estado e lembrando que a despesa em investigação foi reduzida para 1,3% do PIB. Manuel Heitor sublinhou que o investimento público não pode ser substituído pelo privado.

"É importante mostrar que ao contrário do que nos foi dito, que o investimento público podia ser substituído pelo privado,os números mostram que isso não se verificou. Foram políticas erradas. Temos que perceber a natureza pública da coisa pública. Não há experiência em nenhuma região europeia onde o investimento privado tenha aumentado sem ter sido precedido de uma afirmação do apoio público."


Políticas que o ministro considerou terem contribuído para o aumento da “seletividade do acesso à ciência” e para a "destruição do sistema científico nacional".

"A formulação de políticas públicas de estimulação à produção e difusão de conhecimento científico foram drasticamente alteradas nos últimos quatro anos, traduzindo-se no aumento da seletividade do acesso à ciência. A adulteração do sistema ameaçou a destruição do sistema científico nacional. [...] Pela primeira vez, Portugal afastou-se da Europa em investimento e conhecimento e, em particular, em ciência e tecnologia."


Para tornar Portugal "um país da cultura e da ciência", o ministro elencou algumas das medidas que constam nos planos do executivo para o setor: “estimular o emprego qualificado e a qualificação da base científica em todo o território”, “alargar e democratizar o acesso ao ensino superior”, “valorizar a relação com as diásporas cientificas no mundo e na Europa”.

Questionado sobre as bolsas no ensino superior, Manuel Heitor destacou que "a abertura da base social" do apoio ao ensino superior "é uma prioridade" do Executivo.

"É uma prioridade abrir a base social e apoio ao ensino superior, essa é uma prioridade. Acreditamos nas instituições e no seu coletivo, podemos garantir um melhor acesso ao ensino superior."