O ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, rejeitou esta sexta-feira o discurso de "bota abaixo" do PSD, aconselhando os sociais-democratas a terem "pudor" porque "fica mal" fazer política assim.

"Há que ter pudor e a política de bota abaixo tem de ter os seus limites, fica mal ao vosso partido fazer assim política", afirmou Caldeira Cabral, na parte final do debate no plenário da Assembleia da República sobre "Economia e empresas", suscitado pelo grupo parlamentar do PS.

Recusando o discurso de falta de confiança que o PSD tenta passar, o ministro da Economia lamentou a postura, dizendo que não é assim que quer colaborar com os sociais-democratas.

Antes, do grupo parlamentar do PSD tinham surgido vários ataques à política seguida pelo Governo, com o deputado Virgílio Macedo a comparar a bancada socialista à orquestra do "Titanic", que continuou a tocar "até a água chegar ao pescoço".

"Todos reconhecem que coisas não têm corrido bem na economia", disse, falando uma realidade "negra", que contrasta com o cenário cor-de-rosa que o PS tenta "vender".

"Hoje, em Portugal, não há confiança para investir. Em consequência, a economia ressente-se e não cresce. É esta a triste realidade que o Governo introduziu", declarou ainda o deputado social-democrata Luís Campos Ferreira.

A defesa do Governo veio da bancada do PS, com o deputado Carlos Pereira a elogiar "a nova abordagem que reconhece o papel das empresas", o estímulo ao empreendedorismo, o reconhecimento do esforço e empenho dos empresários e o estabelecimento de "um clima favorável aos negócios".

"Connosco ninguém fica para trás", vincou, falando dos vários programas de apoio à economia que o Governo tem lançado, nomeadamente o "Startup Portugal", "um programa desenhado para o futuro" que permitirá "transformar ideias em negócios".

Da parte do PCP, BE e PEV ficaram alertas sobre a "economia real", com o deputado comunista Bruno Dias a lembrar a situação das micro, pequenas e médias empresas mais antigas que estão em dificuldades e querem continuar no negócio.

"Não podemos cair na ideia de que o que é novo é que interessa", defendeu o deputado do PCP, corroborado por Paulino Ascensão, do BE, que disse nada ter contra "as novas soluções" mas alertou para os problemas das empresas que já existem.

"A situação que as micro, pequenas e médias empresas estão hoje a viver constitui um forte obstáculo à retoma do investimento empresarial que, por contágio, compromete o relançamento da economia portuguesa e o crescimento económico", acrescentou o deputado do PEV José Luís Ferreira.

Contudo, foi a bancada do CDS-PP que conseguiu arrancar gargalhadas ao ministro da Economia, depois do deputado Pedro Mota Soares ter recuperado as palavras do primeiro-ministro no congresso do PS, quando António Costa descreveu Caldeira Cabral como "tímido" e "discreto".

Recorrendo aos sinónimos que encontrou no dicionário para "tímido", Mota Soares deixou uma lista longa de palavras, como "acanhado", "envergonhado", "fraco" ou "frouxo".

"Discreto e tímido para mim não é insulto, é apenas uma característica", respondeu o ministro da Economia, que garantiu preferir "ter políticas ousadas do que ter muita fanfarronice".