O ex-candidato presidencial Manuel Alegre recusou esta terça-feira que o PS pareça desinteressar-se das presidenciais, esperando que os socialistas evitem repetir este erro político do passado, alertando que as presidenciais não são uma segunda volta das primárias socialistas.

Manuel Alegre discursava hoje no jantar de apoiantes da candidatura presidencial de Maria de Belém, que no final foi perentória em declarações aos jornalistas: "Pode ter a certeza de que Manuel Alegre será o meu conselheiro de Estado se eu for, como desejo, e como tenho convicção, Presidente da República".

No seu discurso, o ex-candidato presidencial disse não se conformar que "o PS pareça desinteressar-se de uma eleição que é uma eleição essencial para o regime semipresidencial e para o equilíbrio das nossas instituições", considerando que "é um erro político" e que "é bom que os socialistas não repitam e não esqueçam os erros do passado que tiveram como consequência 10 anos de Presidência de Cavaco Silva".

"As eleições não são uma segunda volta das eleições primárias no PS. Estão aqui socialistas de todas as tendências e de todas as sensibilidades", assegurou.


Manuel Alegre dirigiu-se a todos os socialistas: "meditem bem na situação do país, meditem bem naquilo que foram estes últimos tempos e naquilo que foi esta magistratura presidencial".

Os jornalistas questionaram Maria de Belém sobre estas declarações de Alegre, respondendo a candidata que defendeu que, "para garantir e para sublinhar a independência das candidaturas, poderia não haver apoio à primeira volta".

"De qualquer das maneiras, acho importante que o PS reflita sobre os perigos que aqui foram apontados por Manuel Alegre relativamente às opções que possa vir a tomar", alertou.

Segundo o ainda conselheiro de Estado, "há uma tentativa de desvalorização das eleições presidenciais" por parte daqueles que querem favorecer o candidato apoiado pela direita, Marcelo Rebelo de Sousa, deixando o socialista um aviso: "em democracia não há vencedores antecipados".

"Não há vencedores antecipados, mas também não há candidatos por delegação. Isto não é uma República monárquica. Porque há um candidato que passa a vida a citar o apoio de três ex-presidentes da República que nós apreciamos muito", atirou ainda, desta vez com a mira apontada a Sampaio da Nóvoa.


Para o ex-candidato presidencial, "ninguém é escolhido pelos méritos dos seus antecessores, as pessoas são escolhidas pelos seus méritos próprios".

"Eu não desisto das eleições presidenciais, nem me resigno a esta ideia de que há vencedores inevitáveis", assegurou.

O ex-ministro Jorge Coelho fez um discurso carregado de críticas para o candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS, Marcelo Rebelo de Sousa, tendo inclusivamente passado no meio da sua intervenção em excerto de uma entrevista do líder do CDS-PP, Paulo Portas, a Herman José, em 1993, quando ainda era diretor do jornal 'Independente' e divulgou uma história de traição por parte de Marcelo.