Manuel Alegre disse ao que vinha no jantar-comício de Maria de Belém em Santo Tirso: “chamar as coisas pelos nomes”, não usar “meias palavras” e “não fazer batota”. E o resultado foi um ataque cerrado ao outro candidato da área socialista, Sampaio da Nóvoa e, mais do que isso, à ala do partido que o apoia e demonstra “falta de respeito pela ex-presidente do PS”. Mais, Alegre avisou que já viu este filme, lembrando que Ramalho Eanes esteve na fundação de um partido "contra o PS", o Partido Renovador Democrático, depois de ter chegado à Presidência como independente, mas apoiado pelos socialistas.

“Estou aqui para dizer aos socialistas e aos democratas que a Maria de Belém é a minha candidata. […] Ela não apareceu agora de repente. Tem uma vida de mais de 40 anos de militância, de causas, de valores.”


À semelhança do que tinha acontecido em Viseu na quarta-feira, esta sexta-feira à noite em Santo Tirso, Maria de Belém assistiu a uma das maiores mobilizações de apoiantes desta campanha - mais de 300 pessoas certamente. Mas aqui, em terras amigas, com uma autarquia socialista presidida por Joaquim Couto.

E depois de Jorge Coelho no “Cavaquistão”, outro peso pesado a apoiar a ex-ministra de António Guterres com um dos discursos mais fortes da campanha, Manuel Alegre. E novamente os ataques aos adversários da candidata.

Manuel Alegre foi duro: os socialistas que não apoiam Maria de Belém demonstram “falta de respeito por uma ex-presidente do PS”. Sublinhou que a ex-ministra tem uma filiação partidária e, ao mesmo tempo, apresentou uma candidatura independente, ao contrário de quem se diz independente, mas que está apoiado por estruturas partidárias do PS, referindo-se, naturalmente, a Sampaio da Nóvoa.

“Ela é a única que tem uma filiação partidária, militante do PS, mas ao mesmo tempo é independente ao contrário de quem nos pretende dar lições de independência e cidadania, mas que está apoiado por estruturas partidárias do PS."


E avisou que já viu este é filme: já viu o PS a apoiar um candidato independete que depois formou um partido contra os socialistas - o caso do General Ramalho Eanes, que esteve na fundação do Partido Renovador Democrático quando era Presidente da República, em 1985.

“Eu já vi este filme. Já vi o PS apoiar um candidato independente, mas que depois deixou-se arrastar para os partidos políticos e acabou por formar um partido contra PS.”

Ramalho Eanes que, de resto, como se sabe, é um dos apoios do ex-reitor da Universidade de Lisboa.

Mas Alegre continuou. E lembrou que a expressão "tempo novo", muito sublinhada por Nóvoa e que até foi usada para a criação do seu slogan "Novo tempo, novo Presidente", foi usada primeiro por António Costa para falar de algo em concreto: o apoio da esquerda ao Governo PS. "Não é um termo messiânico que não sabemos o que é." 

"O tempo novo são os valores que Maria de Belém defende, o socialismo democrático, democracia política."

Ataques feitos, o socalista fez a defesa de Maria de Belém, assinalando os seus 40 anos de vida pública e a sua candidatura "abrangente" e "capaz de unir os protugueses".

Palavras que Maria de Belém agradeceu quando subiu ao palco para encerrar os discursos. A ex-presidente do PS também criticou os adversários - sem nomear ninguém -, afirmando que incialmente houve candidatos que prometeram o que não podem cumprir e que agora dizem que o seu programa é a Constituição. "Em política também há direitos de autor", declarou.

"Vários candidatos perceberam que estavam a cair num erro. Prometeram aquilo que sabem que não podem cumprir e agora já vêm dizer que o seu programa é a Constituição. Mas não foi por aé que começaram e em política também há direitos de autor. Quando digo e redigo que o meu programa é a Consituição eu sei do que falo e falo do que sei. Sei do que falo porque estive lá, sei do que falo porque fiz e falo do que sei."


Maria de Belém passou o dia na região Oeste, onde teve a primeira arruada desta campanha. Uma visita à feira da Nazaré, mas que soube a pouco. A feira já estava no fim e praticamente vazia quando a comitiva chegou. Depois, durante um almoço com apoiantes nesta vila conhecida pelas suas ondas gigantes a candidata afirmou que quer colocar Portugal "na crista da onda".