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«Ou democracias controlam especuladores ou especuladores acabam com democracia»

Manuel Alegre avisa para «crise terrível» se se insistir na mesma estratégia de austeridade e diz que o orçamento do Governo se trata de um «ajuste de contas»

Por: Hugo Beleza  |  17- 11- 2011  0: 22

Manuel Alegre

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Manuel Alegre descreve a actual crise como «nunca vista» e avisa que poderá transformar-se em «terrível», caso se continue a insistir numa receita semelhante àquela que esteve na sua origem. Para o histórico socialista a ameaça não paira apenas sobre salários, pensões e empregos, mas sobre a própria democracia.

«Ou as democracias controlam os mercados e especuladores ou os especuladores acabam com a democracia», disse Manuel Alegre, antes de um debate na sede do PS em Sobral de Monte Agraço sobre «O que é ser de esquerda do século XXI».

Instado a comentar o aval da troika para a próxima tranche do empréstimo internacional a Portugal, no valor de 8 mil milhões de euros, Manuel Alegre reconheceu que «é positivo para Portugal que façam essa apreciação», mas que «tudo isto é muito incerto».

«Não acredito na política de austeridade que está a ser imposta a países que estão numa situação como o nosso», salientou o socialista, argumentando que «a política de austeridade conduz a recessão».

A problema, disse, é «de toda a Europa». E apontou como responsáveis da situação actual a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy. «A Europa que está a ser dirigida por um directório a dois, contra os tratados, em violação flagrante da transparência, da solidariedade e da democracia europeia e como uma política errada», atirou.

«Nós estamos a assistir a uma coisa nunca vista, que é mercados derrubarem governos, de esquerda e da direita. É um problema muito sério», frisou Manuel Alegre, avisando que o bloco europeu «está por este processo a desfazer-se».

Soluções? Para o antigo candidato à presidência da República apenas uma inversão de políticas poderá inverter o processo de desagregação: «É necessário dar uma volta. São necessárias outras políticas e essas políticas têm de conjugar o rigor das contas públicas com o projecto de crescimento económico».

«Não se vence uma crise desta natureza pela compressão salarial ou com a ideia de que há competitividade pela compressão salarial ou atacando as funções sociais do Estado ou atacando o sector público», argumentou.

Por esta razão, para Manuel Alegre, o orçamento para o próximo ano trata-se de «um programa ideológico, de ajuste de contas, de um programa neoliberal». «Não é este o caminho que pode vencer a crise, porque estão a ser aplicadas as receitas que estiveram na origem da crise e as mesmas causas vão produzir os mesmos efeitos», sentenciou.

Para o socialista, é inadmissível que a solução apresentada pelo Governo passe apenas por cortes. «É extraordinário que o primeiro-ministro defina como estratégia empobrecer os portugueses e empobrecer o país», anotou. «Aquilo que é preciso fazer é uma redistribuição dos rendimentos, um combate à desigualdade. Desta maneira vamos passar por uma crise terrível».

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