O líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, incitou esta quarta-feira «trabalhadores e populações» a dar um «último empurrão a um primeiro-ministro que não quer largar o poder», nas manifestações agendadas para hoje, no Chiado, e sábado, em Belém.

«Se faz falta dar o último empurrão a um primeiro-ministro que não quer largar o poder, ele há de ser dado hoje no desfile que o PCP promove às 18:00, do Chiado para o Rossio, e também no sábado, na manifestação convocada pela CGTP, junto ao Palácio de Belém», disse, em declaração política, na Assembleia da República.

O deputado comunista considerou que «a patética novela que se desenrola desde o início da semana é indigna do regime democrático e demonstra que esta gente que desgoverna Portugal não tem nem nunca teve qualquer respeito pelo país e pelos portugueses».

«O CDS pode estar calado a tarde toda, dar as piruetas que quiser, mas não se livra das responsabilidades que também tem», condenou igualmente Bernardino Soares, perante o silêncio acumulado da bancada democrata-cristã.

O presidente do CDS-PP, Paulo Portas, que se demitiu de ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, já depois da demissão do «número dois» do Governo da maioria PSD/CDS-PP, Vítor Gaspar, reuniu-se hoje com a comissão executiva do seu partido para analisar a situação.

«Pelos vistos, o primeiro-ministro foi a correr buscar conforto em Berlim e fazer o relatório ao Governo alemão, quiçá na expectativa de obter apoio para a sua continuação. Um primeiro-ministro que pensa que em vez de responder ao povo português pode responder perante os seus mandantes alemães», afirmou.

Bernardino Soares insistiu, mais uma vez, que o Presidente da República, que hoje vai ouvir o líder socialista, seguindo-se, quinta-feira, audiências ao líder do executivo e restantes partidos, só tem uma «única medida aceitável»: «demitir o Governo, dissolver a Assembleia e convocar eleições», sob pena de «estar, ele próprio, a pôr-se à margem do regular funcionamento das instituições».