O secretário-geral do Partido Socialista, António José Seguro, disse este sábado compreender «muito bem a manifestação» que decorreu no Porto e Lisboa.

No final da Comissão Nacional do PS que hoje decorreu em Vila Nova de Gaia e questionado pelos jornalistas sobre este protesto, António José Seguro disse tratar-se de «um sinal claro de que os portugueses não ficam de braços caídos perante a destruição do emprego, a destruição da economia, a destruição do nosso país». «Um sinal claríssimo», sublinhou.

Interrogado se, caso não fosse líder do PS estaria na manifestação desta tarde, o socialista foi perentório: «O secretário-geral do PS está em todos os momentos a lutar contra esta política de destruição.»

«Estive hoje aqui nesta comissão nacional. Estarei em muitas outras manifestações públicas que possam existir. Não há só uma manifestação, nem uma forma de nós protestarmos», considerou.

Já o secretário-geral do Partido Comunista Português, que participou na concentração em Lisboa, defendeu que a CGTP se recusou a fazer «um frete» ao Governo com uma discussão sobre o modo do protesto.

«O Governo procuraria sempre uma forma de tentar obstaculizar esta grande ação e esconder os seus objetivos. Nesse sentido, a CGTP teve uma posição de grande responsabilidade e de grande firmeza. A ponte pode esperar, a luta é que não», sustentou.

Jerónimo de Sousa lamentou que, ao longo dos últimos dias, as questões se tenham «centrado muito no modo» como o protesto se iria realizar, secundarizando-se «os objetivos». «O importante foi manter os objetivos, fosse através da marcha de autocarros [pela ponte] ou nesta grande concentração. Foi uma grande prova de serenidade, de responsabilidade e também de grande determinação ao levar-se por diante um grande desfile de autocarros, de viaturas e de motociclistas», enalteceu.

Nas declarações aos jornalistas, o secretário-geral do PCP fez também duras críticas ao teor do OE2014. «Esta marcha teve como objetivo a necessidade de demitir este Governo, levando consigo as suas propostas, designadamente a proposta de Orçamento do Estado para 2014, que, no essencial, visa um agravamento no sentido do aumento da exploração e do empobrecimento dos portugueses. A primeira vitória desta ação da CGTP é a afirmação de confiança, de esperança, dando força ao protesto, à indignação e à luta contra esta política desgraçada com que os portugueses estão confrontados», declarou.

O Bloco de Esquerda considerou que a manifestação constituiu a prova de que o Governo não consegue parar a contestação popular, apesar das «chantagens» e pretextos de «segurança» para limitar a ação de protesto.

A posição foi transmitida pela coordenadora do Bloco de Esquerda, no Largo de Alcântara, durante a concentração de protesto contra o Governo convocada pela CGTP-IN.

«A verdade é que o Governo não consegue parar a contestação do povo, que recusa um Orçamento [do Estado para 2014] que é injusto, que penaliza aqueles que menos ganham, pessoas com salários logo acima de 600 euros e que retira pensões a viúvas e órfãos», afirmou Catarina Martins, referindo-se à proibição da manif a pé na ponte 25 de Abril.

Segundo a bloquista, apesar de «toda a chantagem exercida» pelo executivo PSD/CDS, «aqui o povo a manifestar-se perante um Governo que se curva à troika». «Fica-se a saber que, em Portugal, quem trabalha se levanta, não se resigna e exige emprego, salário, pensão e dignidade», condenou Catarina Martins.