Os secretários-gerais da CGTP e do PCP manifestaram-se este sábado solidários com os milhares de reformados e pensionistas que esta tarde protestaram em Lisboa contra os cortes nos salários e nas pensões, os quais também lembraram os ideais de Abril.

«Estamos aqui para dizer que os trabalhadores no ativo de hoje são os filhos destes homens e mulheres, destes pais e mães, destes avós, e estamos com eles numa luta que é de todos», afirmou o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, que esta tarde se juntou ao protesto e saudou alguns idosos, distribuindo cravos vermelhos.

Arménio Carlos enalteceu o facto de «estes homens e mulheres, ao contrário do que alguns pensavam, não estarem resignados, nem tão pouco condenados a ficarem na exclusão e no isolamento».

«Estão aqui a dizer que são cidadãos de primeira, como qualquer outro, independentemente de estarem reformados, e esta manifestação é um momento de inegável participação cívica de homens e mulheres que estão a dar um grande exemplo a todo o país», considerou o líder da CGTP.

Perante os sucessivos cortes nas reformas e nas pensões, o sindicalista instou o Tribunal Constitucional (TC) a pronunciar-se o quanto antes sobre as medidas do Governo.

«Se até há pouco tempo o argumento do Governo era de que estes cortes eram provisórios, depois das declarações de vários membros do Governo, incluindo do primeiro-ministro, quer dizer que estes cortes vão passar a definitivos. Então, o TC não pode deixar de ter em consideração estas declarações do Governo e do próprio primeiro-ministro e só esperamos que, brevemente, se pronuncie considerando inconstitucionais estes cortes e, naturalmente, devolvendo aquilo que é por direito próprio dos reformados e dos pensionistas», sublinhou o dirigente sindical.

Também o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, se juntou à manifestação e demonstrou a solidariedade do partido com aqueles que estão a sofrer cortes nas reformas.

«Esta é uma manifestação, não só de solidariedade, mas também de admiração. Creio que é caso único na Europa uma manifestação em vários pontos do país de um setor que tem sido profundamente fustigado por este Governo, por esta política, sujeito a sistemáticos cortes e ao roubo das suas pensões e das suas reformas», afirmou Jerónimo de Sousa.

Segundo o líder comunista, «se o Governo julga que por terem o estatuto de reformados e pensionistas são apenas peso morto, descartáveis, esta manifestação é uma grande resposta de gente que está a lutar pela sua dignidade».

Milhares de reformados e pensionistas desfilaram esta tarde pelas ruas da capital e concentraram-se na praça do Rossio, em Lisboa, o destino de uma marcha contra os cortes nas pensões que começou na Praça do Município.

Ao longo do percurso, os reformados e pensionistas presentes no protesto cantaram «Grândola Vila Morena», de Zeca Afonso, lembrando os ideais de Abril.

A marcha «Por Abril, Contra os Roubos nas Pensões» aconteceu este sábado em Lisboa, mas também no Porto e em Faro, havendo ainda concentrações em Coimbra, Guimarães e Covilhã, num protesto organizado pela Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos (MURPI).

No final do desfile, o presidente do MURPI, Casimiro Menezes, congratulou-se com a adesão de milhares de pensionistas nesta iniciativa e prometeu avançar com outros protestos, caso persistam as políticas de austeridade contra os reformados.

«Nós dizemos ao Governo que pare com a austeridade contra os reformados e contra o povo em geral e que é altura de arrepiar caminho, porque se não o fizer, faremos mais manifestações para correr com este executivo», disse à Lusa o presidente do MURPI.