Cerca de duas dezenas de apoiantes do PNR concentraram-se este sábado junto à prisão de Évora, onde José Sócrates está preso preventivamente, para afirmar que o ex-primeiro-ministro «é culpado» e que «tem de pagar» pelo que fez.

«Viemos lembrar que José Sócrates é culpado e que está a pagar e tem de pagar por todos os crimes de gestão danosa e corrupção que fez», disse aos jornalistas o presidente do Partido Nacional Renovador (PNR), José Pinto Coelho.

O protesto começou por volta das 12:00, quando os elementos do PNR colocaram cartazes nos sinais de trânsito junto à cadeia, com frases a criticar José Sócrates e a apoiar o juiz Carlos Alexandre.

«Força juiz Carlos Alexandre», «Sócrates não és um preso político, mas sim um ‘pulhítico’ preso» e «Sócrates já lá está, ainda faltam muitos outros!» eram algumas das frases que se podiam ler nos cartazes.

O início da concentração dos apoiantes do PNR coincidiu com a saída do antigo ministro socialista Pedro Silva Pereira do Estabelecimento Prisional de Évora, após visitar José Sócrates, tendo o atual eurodeputado do PS recusado prestar declarações aos jornalistas.

José Pinto Coelho disse que «Sócrates é um grande culpado, mas não é o único», de Portugal estar num «buraco cada vez mais fundo e incerto», considerando que «tem de haver tolerância zero para os crimes de colarinho branco».

«Entendemos que a justiça tem de atuar. Saudamos os juízes que são corajosos, como o juiz Carlos Alexandre, e temos de ter muitas pessoas que sejam como ele, que tenham coragem, apesar de todas as pressões», afirmou.

O presidente do PNR criticou o antigo Presidente da República Mário Soares, por, na sua opinião, «ameaçar um juiz», ao dizer que «o juiz Carlos Alexandre que se cuide».

«É preciso ter muita lata. Esses senhores, padrinho [Mário Soares] e afilhado [José Sócrates], estão habituados a viver acima da lei», realçou.

O líder do PNR condenou a «romaria absolutamente vergonhosa e patética» para visitar o ex-primeiro-ministro na prisão e o facto de as pessoas afirmarem, «a pé juntos, que o homem está inocente».

José Pinto Coelho tentou entregar na prisão «uma lista de crimes que são imputados a José Sócrates, que fazem sofrer o povo português e que fazem danos graves de lesa-pátria a Portugal», mas o sobrescrito não foi aceite pelos guardas prisionais.

A 21 de novembro, o antigo líder do PS e ex-primeiro-ministro foi detido e, após interrogatório judicial, ficou em prisão preventiva, por o juiz considerar existir perigo de fuga e de perturbação da recolha e da conservação da prova.

José Sócrates está indiciado dos crimes de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal qualificada, num processo que envolve outros arguidos, incluindo o empresário e seu amigo Carlos Santos Silva, também em prisão preventiva.