O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, alertou este domingo, em Faro, para a necessidade de se identificarem riscos ao nível intermunicipal como forma de racionalizar dispositivos de socorro.

Falando à margem do 13.º Congresso da Associação Nacional dos Bombeiros Profissionais (ANBP), Miguel Macedo afirmou ser «muito importante que haja uma escala multimunicipal na identificação de um conjunto de riscos, que possa permitir que as estruturas de bombeiros, sejam elas profissionais ou voluntários, acorram com um dispositivo mais racional».

O ministro frisou que, em maio do ano passado, o Ministério da Administração Interna (MAI) «abriu uma linha de fundos comunitários para as autarquias locais, a partir dos Planos de Emergência Municipal, poderem fazer a identificação dos riscos a uma escala intermunicipal» e, com essa informação, «estruturarem o dispositivo para garantir e assegurar o controlo sobre esses riscos».

«Tem sido uma preocupação de muitos presidentes de câmara e isso significa racionalizarmos estruturas, cada câmara gastar um pouco menos para acorrer a esses riscos, porque todas elas estão a gastar para salvaguardar de uma forma mais racional essas situações», acrescentou, frisando que esses riscos vão «desde os rodoviários, aos industriais ou florestais».

Questionado sobre as chamadas de atenção que a ANBP tem feito sobre a falta de bombeiros profissionais nas grandes cidades e em todas as capitais de distrito, Miguel Macedo disse ser uma «situação reportada um pouco por todo o país».

«O investimento adicional que fizemos este ano para constituição de equipas permanentes visa dar uma comparticipação financeira para aqueles bombeiros que queiram, e possam, participar neste esforço de luta no verão. Essa é uma das razões por que entendemos que era avisado ter essa permanência, remunerando essa permanência, porque não desconhecemos esse tipo de problemas», respondeu ainda o ministro.

Miguel Macedo disse que no total está previsto um dispositivo para o próximo período de fogos florestais que «conta com meios aéreos pesados em maior número» e prevê a «possibilidade de constituição de mais 50 equipas de bombeiros profissionais, o que significa que, se todas forem preenchidas, um conjunto de 250 bombeiros a mais no combate aos fogos florestais».

«É o reforço considerado adequado tendo em vista o conjunto do dispositivo. Temos previsto todo o dispositivo para, nos picos do período do verão, dispormos em simultâneo de 10.000 bombeiros. Foi aquilo que o ano passado atingimos», respondeu Miguel Macedo quando questionado sobre se estes números eram suficientes.

O governante frisou que «no ano passado o que se atingiu num dia foi o envolvimento direto de 9.800 bombeiros» e «o dispositivo deste ano está preparado para um pico desses».