O deputado do PCP na Assembleia Legislativa da Madeira, Edgar Silva, defendeu esta quarta-feira que o presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, deve informar o parlamento das suas viagens, criticando os «30 a 90 dias fora em viagens secretas».

«Quando se sabe que, de acordo com a Constituição, até o Presidente da República não se pode ausentar do país sem a prévia informação oficial, como é que para o Presidente do Governo Regional todas as viagens ao exterior são secretas?», questionou o deputado no período antes da ordem do dia do plenário do parlamento madeirense.

Edgar Silva continuou a questionar o parlamento sobre o «secretismo das viagens» de Alberto João Jardim: «Se está consagrado na Constituição que, desde logo, o Presidente da República, para além das ausências do território com caráter oficial, também por inerência do cargo, está obrigado a informar a Assembleia da Republica sobre viagens sem caráter oficial, então, que fundamento ético, com que legitimidade política é que se pode admitir que o Presidente do Governo Regional faça das suas repetidas ausências da Região, ainda por cima em supostas viagens oficiais de natureza secreta, sem que dê cavaco a alguém sobre o que deveriam ser viagens oficiais, ou seja, supostamente para tratar de assuntos relativos à governação e do interesse regional?».

«Mas que viagens secretas são essas, para tratar de quê? E de quem? Que importam ao interesse regional? Por que artes hão de ser declaradas secretas? Secretas para quem? Porquê? Para quê?», insistiu.

«Tudo somado, por cada ano, o Presidente do Governo Regional, para além do seu legítimo período de férias, chega a passar entre 30 a 90 dias fora da Madeira em viagens secretas. Quem é que com um mínimo de respeito pelo interesse público aceita tamanha jardinice?», concluiu.