O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, afirmou hoje que o problema de Portugal foi ter desvalorizado «as suas elites» e considerou ainda as greves «uma palhaçada».

«O problema de Portugal foi que negligenciou muito as suas elites», disse Jardim na abertura das V Jornadas do Médico Interno da Madeira que decorre no hospital dr.Nélio Mendonça.

O governante argumentou que houve «uma deformação na informação em Portugal, deu muitas vezes importância ao irracional e à massa da rua e secundarizou as elites».

Na opinião do líder madeirense, «um país que não é liderado pelas suas elites, com respeito pelo direito de todos, mas não tem as suas vanguardas a liderá-lo é um país que entra em crise».

Jardim aproveitou a ocasião para declarar que «não é com greves que se vai mudar o país, é tudo uma palhaçada», num dia decorre uma paralisação dos funcionários públicos marcada pelas estruturas sindicais do setor como forma de protesto contra novos cortes salariais e de pensões e o aumento do horário de trabalho, entre outras medidas.

Segundo o responsável insular «o que o país precisa é de ser mudado de fundo como sistema político, como regime político nas suas normas fundamentais, constitucionalmente, mas aí, todos os que protestam não querem mudar».

Alberto João Jardim considera que «há aqui de facto uma camuflagem», argumentando que «não se quer mudar o que é essencial mudar e vai-se entretendo as massas com estas cenas, greves hoje, barulho no jornais amanhã, barulho das televisões noutros dia».

«Isto é tudo uma encenação para que nada mude neste país», opinou.

O presidente do executivo sustentou que «estamos perante um desafio da história: ou mudamos o que tem de ser mudado ou vamos andar a nos degradar nestas cenas do quotidiano».

Jardim apontou ainda que aos «sindicatos em Portugal não lhes interessa mudar o sistema politico nem o regime e vão entretendo as massas com estas cenas de greves, mas não são gente para fazer a alteração do regime e sistema politico em Portugal».

O governante salientou ainda que o Serviço Regional de Saúde da Madeira «tem tido uma evolução positiva», admitindo que «ainda está incompleto e precisa de novos retoques».

Aos jovens médicos internos instou a ajudarem «a mudar um país que precisa muito ser mudado».

As V Jornadas do Médico Interno da Madeira contam com a presença do presidente da Comissão Nacional de Internato Médico, Serafim Guimarães.