A Comissão Regional do PS-Madeira classificou, esta sexta-feira, de «inútil» e «ato de desgoverno» a iniciativa do Governo do arquipélago apresentada em Lisboa para provar que a região não é despesista.

«Que vantagem teve? Nenhuma e gastou-se cerca 500 mil euros para demonstrar aquilo que qualquer um saberia em relação a essas contas, para justificar que não são despesistas», declarou o presidente deste órgão socialista insular, após a primeira reunião depois das eleições.

De acordo com Ricardo Freitas, «esta foi uma ação de desgoverno, uma ação que não tem qualquer reflexo, nem vontade histórica, quanto muito denuncia a própria despesa inútil do processo».

Insistindo na necessidade de a Madeira renegociar o programa de ajustamento económico e financeiro celebrado com o Governo central, o responsável do PS/M sublinhou que os elementos do executivo do PSD/M estiveram esta sexta-feira «entretidos» não em «confrontar a República, dizendo devolvam-nos o dinheiro ou perdoem-nos a dívida», mas num «exercício histórico».

«Talvez seja pela desgovernação que hoje quem manda terá indicado ao grupo parlamentar na Assembleia da República a entrega de um projeto de revisão constitucional que ninguém acompanha, nem serve para nada», argumentou Ricardo Freitas, citado pela Lusa.

No entender de Ricardo Freitas, esta iniciativa dos deputados do PSD eleitos pela Madeira na Assembleia da República, na atual conjuntura nacional e regional constitui «uma autêntica brincadeira» e um «fait-divers» que evidencia o que é «a ação descoordenada do próprio Governo Regional».

Para o dirigente do PS/Madeira, tal «só pode ser entendido como uma brincadeira e uma provocação ao Governo da República, do seu próprio partido, e denuncia a fragilidade que é hoje a Região Autónoma da Madeira no exercício governativo» do executivo liderado por Alberto João Jardim.

Ricardo Freitas sustentou que, face ao atual quadro político na região, ganha consistência o cenário de eleições regionais antecipadas, visto que o PSD/Madeira, o partido que suporta o executivo regional, passa por uma alteração de liderança no final do ano (19 de dezembro), com a realização de um congresso a 10 de janeiro de 2015.

«Temos de estar preparados para a alternativa», concluiu.

O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, acompanhado por vários elementos do executivo madeirense, apresentou esta sexta-feira, em Lisboa, um estudo intitulado «O Deve e o Haver das Finanças da Madeira, nos séculos XV a XXI», que tem como objetivo repor «a verdade histórica das relações financeiras entre o Estado Português e a Região Autónoma» e «desmontar» a ideia de «despesismo» do arquipélago.