O Governo da Madeira vai avançar com a construção de 30 fogos em São Gonçalo, Funchal, para realojar algumas das famílias que perderam a casa nos incêndios da semana passada, mesmo que o Estado português não financie o projeto.

"Vamos tentar obter parte do financiamento a nível nacional. Mas, independentemente, venha financiamento ou não venha financiamento, isto vai ser para construir e é 2,5 milhões de euros", afirmou Miguel Albuquerque, durante uma visita ao terreno, junto ao Bairro Social de São Gonçalo.

Albuquerque sublinhou que, relativamente aos incêndios, a "grande preocupação" do Governo Regional foi sempre as pessoas.

"Como sabem, em menos de uma semana fizemos o realojamento provisório de mais de 180 pessoas", disse, salientando que agora se passou à “segunda fase, que é a construção rápida de habitação social, para também atribuir habitações definitivas a parte dessas famílias".

O concurso público para a construção destes 30 fogos tem lançamento previsto para outubro, devendo as obras ter início em fevereiro de 2017.

Para além de São Gonçalo, o chefe do executivo madeirense visitou este sábado de manhã um acesso à via-rápida onde decorreram obras de consolidação das escarpas e também esteve no Hospital dos Marmeleiros e no Hospital Dr. João de Almada, na zona do Monte, que foram evacuados durante os incêndios.

"A evacuação destes dois hospitais é um paradigma, um exemplo de eficácia e de planeamento", afirmou Miguel Albuquerque, depois de ter percorrido todas as enfermarias a fim de agradecer o trabalho "muito bem feito e eficaz" do pessoal no decurso da operação.

Na madrugada de terça-feira, 9 de agosto, 180 doentes foram retirados do Hospital dos Marmeleiros no espaço de duas horas. No Hospital Dr. João de Almada, 185 doentes foram transferidos em menos de duas horas na tarde desse dia, quando as chamas já rodeavam o edifício.

Os doentes foram encaminhados para o Hospital Central do Funchal, para o Regimento de Guarnição 3 e para a Escola Horácio Bento de Gouveia, que foi construída de modo a servir como hospital em situação de catástrofe.

"Nestas situações é preciso ter alguma serenidade", afirmou Miguel Albuquerque, lembrando que a experiência adquirida no passado faz com que a abordagem aos eventos seja agora "muito mais profissional e muito mais eficaz".

Os incêndios que fustigaram a Madeira na semana passada afetaram sobretudo o concelho do Funchal, onde fizeram três mortos e um ferido grave, centenas de desalojados e deslocados, bem como prejuízos em bens públicos e privados avaliados pela câmara municipal em cerca de 61 milhões de euros.

 Entretanto, a Câmara Municipal do Funchal repôs, este sábado à tarde "a normalidade no trânsito" no núcleo histórico da freguesia de São Pedro, por estar já garantida a segurança dos edifícios que arderam.