Por: Redacção / IPL | 5- 10- 2011 19: 20
Francisco Louçã propôs esta quarta-feira a criação de um novo imposto de dez por cento sobre as empresas registadas no
«off-shore» da Madeira. Para o líder do Bloco de Esquerda (BE) trata-se de um «imposto sensato sobre quem não pagou nada»,
noticia a Lusa.
«Que se institua um imposto de 10 por cento sobre as empresas que não têm pago nenhum imposto, que
não fazem declarações de imposto e que não têm nenhum empregado na Madeira», sustentou.
Numa conferência de imprensa
dada no centro do Funchal, o BE apresentou dez propostas para ajudar a recuperar economicamente a região e poupar os madeirenses
mais desfavorecidos do anunciado reforço de austeridade.
«Se os madeirenses estão hoje a viver esta aflição do rombo
orçamental provocado pelos amigos e cúmplices de Alberto João Jardim, vamos nós aceitar que o IVA suba para que os mais pobres
da Madeira fiquem com o ordenado mais pequeno ou com a pensão mais pequena, ou vamos dizer que quem explora e não paga um
cêntimo de imposto agora tem que pagar?», questionou.
Louçã frisou que os «madeirenses têm o direito» de pedir às
empresas o pagamento de «algum imposto» por estarem a «explorar» a ilha.
Entre as medidas apresentadas pelo BE está
também a necessidade de renegociar a classificação da região para efeitos de elegibilidade relativamente a fundos comunitários
para regiões desfavorecidas.
«Queremos que a Madeira possa recomeçar a beneficiar dos apoios comunitários às regiões
mais pobres porque a Madeira é uma das regiões mais pobres. Só que, como sabem, uma parte da Madeira é dominada por empresas
virtuais, que não existem e que com o rendimento que não existe e não paga imposto na Madeira façam com que a Madeira toda
não possa candidatar-se a apoios comunitários», disse Louçã.
Para o líder do BE se se registasse o que os madeirenses
produzem, a «verdade da economia» da região, a Madeira «recuperaria no quadro comunitário de financiamento europeu 900 milhões
de euros ao longo dos próximos anos», contou.
Mais medidas como a «renegociação das parcerias rodoviárias» ou o fim
de apoios na comunicação social ou no futebol pretendem restruturar a região. Na totalidade, segundo Louçã, seriam poupados
1300 milhões.
O candidato do BE-Madeira, Roberto Almada, defendeu a necessidade de uma «auditoria completa e exaustiva
realizada pelo tribunal de contas» ao buraco financeiro da região, «que identifique os montantes, as empresas que os receberem,
os contratos, as derrapagens e os desperdícios».
Almada apelou ainda a Cavaco Silva que inclua na agenda do próximo
Conselho de Estado a discussão sobre a inexistência de uma lei de incompatibilidade e impedimentos na região, «que impeça
que os deputados da Assembleia Legislativa possam ser os beneficiários das suas próprias decisões».
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