O presidente francês, Emmanuel Macron, felicitou, nesta sexta-feira, o primeiro-ministro português, António Costa, por ter conseguido conciliar a “retoma da economia” com “uma política de crescimento e de justiça social”.

Quero aqui congratular-me com a situação económica de Portugal, que está a melhorar, com um crescimento que acelera, com um défice que recua, um investimento que acelera, o que é uma boa notícia para Portugal mas também para a zona euro. Até porque a zona euro não pode avançar se alguns dos seus Estados-membros estiverem a braços com dificuldades”, acentuou Macron, numa declaração após um almoço com António Costa no Palácio do Eliseu, em Paris.

O chefe de Estado francês, que foi eleito em maio passado e criou um novo partido político em França que venceu as eleições legislativas de junho, aproveitou para elogiar António Costa por ter conciliado o crescimento económico com uma política de cariz social.

Queria felicitar António Costa pela sua ação, que permitiu conciliar, ao mesmo tempo, o restabelecimento das finanças públicas com uma política de crescimento e de justiça social, que permite dar credibilidade a esta retoma [económica].”

Macron reiterou depois a “vontade comum” de Portugal e França em avançarem em termos de integração e transformação da União económica e Monetária.

"Visão comum sobre a União Europeia”

Emmanuel Macron e António Costa destacaram uma "visão comum sobre a União Europeia", com o primeiro-ministro português a falar também numa "Europa Em Marcha".

Na declaração conjunta após o almoço no Eliseu, António Costa começou por falar em francês, agradecendo a oportunidade de um almoço que, "sem problemas bilaterais", pôde concentrar-se "sobre uma visão partilhada sobre o futuro da Europa".

O primeiro-ministro considerou que a eleição de Emmanuel Macron como presidente de França e "a sua ambição de colocar também a Europa Em Marcha" deu à Europa uma "confiança reforçada", afirmando que "juntos" podem "reforçar a unidade da União Europeia, a convergência económica e social e reforçar a capacidade de a Europa fazer mais, nomeadamente na segurança, emprego e defesa".

Este almoço de trabalho permitiu concretizar uma visão comum sobre a União Europeia, a prioridade à convergência económica para a estabilização da zona euro e para a reforma da União Económica e Monetária. É sobre esta base sólida daquilo que já conseguimos construir em conjunto que podemos projetar novos avanços, nomeadamente no domínio da segurança e no domínio da defesa", afirmou Costa, já em português.

O presidente francês também destacou uma "visão comum para mais integração na zona euro", mas começou por saudar as melhorias das contas portuguesas.

António Costa reiterou que Portugal e França têm uma "visão comum sobre a sociedade", apontando que no domínio dos trabalhadores destacados deve ser garantida "simultaneamente a liberdade de prestação de serviços, mas combatendo a concorrência desleal e o dumping social".

O tema dos trabalhadores destacados também foi sublinhado pelo presidente francês, que lembrou que "a Europa que protege" passa não só por uma "Europa da Defesa", mas também pela "reforma de algumas regras" ao nível comercial.

"Falámos sobre o trabalho destacado, com a vontade de encontrar condições justas, conformes aos nossos valores sociais, para lutar contra a fraude, permitir uma livre circulação dos trabalhadores mas não penalizar os trabalhadores mais modestos nos nossos países", afirmou Emmanuel Macron, num contexto em que os portugueses são dos trabalhadores destacados mais numerosos em França.

Incêndios com ação coordenada

A possibilidade de "uma ação europeia mais coordenada" no combate aos incêndios florestais que afetam os dois países também foi abordada pelos dois governantes em Paris.

Emmanuel Macron começou por manifestar "toda a emoção e solidariedade da França face aos incêndios que fustigaram Portugal dolorosamente no mês de junho", lembrando que "os fogos afetam mais uma vez" Portugal e França.

Depois, o chefe de Estado francês disse ter falado com António Costa sobre uma "ação europeia mais coordenada em termos de intervenção e talvez de equipamento ao nível europeu" para combater os fosos, afirmando que Portugal pode contar com França.

"Evocámos, neste almoço, a possibilidade de relançar uma iniciativa para mutualizar as nossas forças de segurança civil e permitir ter uma ação europeia mais coordenada em termos de intervenção e talvez de equipamento, ao nível europeu. Vamos trabalhar nas próximas semanas juntos - e espero, com outros, neste caminho. Mas podem contar com o compromisso pleno e inteiro da França", declarou.