O PSD quer que a ministra da Administração Interna mande investigar a atuação do comandante nacional da Proteção Civil, Rui Esteves, sobre a estratégia de combate aos incêndios em Mação.

O deputado Duarte Marques, juntamente com o autarca de Mação, Vasco Estrela, que também é social-democrata, querem saber de forma mais detalhada o que se passou efetivamente com os dois incêndios que assolaram o concelho. E, por isso, pedem uma investigação da Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI) ao comandante.

No primeiro incêndio, em julho, que começou na Sertã e se estendeu a Mação, os políticos têm dúvidas sobre a coordenação no teatro de operações, nomeadamente sobre o desvio de meios e equipas de grupos de intervenção permanente da GNR para outros concelhos. No segundo incêndio, ocorrido em agosto, revelam dúvidas sobre o número de aeronaves e de bombeiros mobilizados para o combate às chamas. 

Duarte Marques explicou na TVI24 que quer ter acesso às "fitas do tempo" dos dois fogos de Mação para confirmar se, no terreno, os meios de combate correspondiam aos que eram anunciados. 

A Proteção Civil anunciava 1000 operacionais dos quais muitos nem combatem o fogo e quando na verdade só pediam comida para 650, porque estavam a enganar as pessoas. Nos meios aéreos e nos meios terrestres isto também acontecia muitas vezes: anunciavam 15 meios aéreos e o comandante nacional dizia ao presidente de câmara que estavam lá sete. Além de outros grupos de intervenção como os das brigadas da GNR ou meios aéreos e terrestres que foram sendo desviados por ordens do comando nacional do teatro de operações de Mação", sublinhou Duarte Marques.

O deputado do PSD frisou que o mesmo cenário se repetiu nos dois fogos:

Em ambos os fogos, de julho e agosto, que foram os dois muito grandes, o fogo estava praticamente controlado numa manhã, mas quando desviaram os meios aéreos de Mação ao início da manhã, o fogo voltou a explodir. Nós queremos ver estes dados para ter acerteza que o que aconteceu no terreno teve intervenção do comandante nacional."

Duarte Marques admitiu ainda que o próprio Governo terá sido enganado pela Proteção Civil.

"Há dados diferenciados entre aquilo que é o discurso do próprio Governo, que na minha opinião também foi enganado pela Proteção Civil, e aquilo que é o discurso da Proteção Civil através de mensgaens e através da realidade no terreno. Mais do que descoordenação há aqui uma tentativa de ocultar a verdade."