O líder do grupo parlamentar do PSD, Luís Montenegro, apelou hoje a António Costa para esclarecer a proposta do PS que admite recorrer a receitas das portagens rodoviárias para financiar a segurança social.

“Lanço um apelo ao secretário-geral do Partido Socialista para que ele desenvolva e aprofunde uma proposta, que passou um bocadinho ao lado do debate [político] esta semana”, segundo a qual o PS “está a estudar a possibilidade de a segurança social financiar-se, entre outras hipóteses, com as portagens da rede rodoviária”.

“Creio que está, mais uma vez, lançada a confusão relativamente a esta matéria”, acrescentou o líder da bancada parlamentar social-democrata, que falava à agência Lusa, hoje, ao final da manhã, depois de se ter deslocado à feira de Santa Luzia, na freguesia de Barcouço, no concelho da Mealhada.

António Costa “ainda ontem [sexta-feira] falava do Estado social e creio que é uma oportunidade para esclarecer” esta posição sobre o financiamento da segurança social, sustentou, considerando que “não se deve brincar com os pensionistas e com a salvaguarda da capacidade de o Estado poder pagar as reformas no futuro”.

Depois da “proposta, ainda não muito bem explicada”, sobre a diminuição da taxa social única (TSU), que “provocará no futuro a diminuição do valor das pensões, ficamos a saber que o PS, se viesse a vencer as eleições, que, entre outras fontes de financiamento, coloca a hipótese de desviar as receitas das portagens”, sublinhou Luís Montenegro.

Essa possibilidade “é tão estranha quanto a circunstância de as receitas das portagens não serem sequer suficientes para pagar os encargos das parcerias público-privadas (PPP), que os governos do Partido Socialista lançaram”, sustentou o deputado.

Para quem “fala tanto do Estado social, era bom que o PS pudesse esclarecer isto”, salientou.

Luís Montenegro também apelou a que os socialistas esclareçam se querem “inverter o caminho dos últimos anos”, em relação ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), “nomeadamente de pagamento da grande parte dos três mil milhões de euros de dívida que o PS deixou no SNS, o alargamento das taxas moderadores, que hoje abrangem qualquer coisa como seis milhões de portugueses” e “a diminuição do preço dos medicamentos.

Importa saber se “esse caminho de restruturação iria ser invertido com o PS no Governo”, sublinhou Luís Montenegro, defendendo que será “neste tipo de questões” que o seu partido estará “focado nas próximas semanas” de campanha eleitoral para as legislativas de 04 de outubro.