O ex-líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, afirmou na tarde de quarta-feira que a sua decisão de se candidatar à liderança do partido só depende dele próprio e não de qualquer contagem de espingardas com potenciais concorrentes.

Fixem uma coisa: não ando a contar nem apoios nem espingardas nem nada dessa avaliação é preponderante para mim”, afirmou Montenegro aos jornalistas, à entrada para o debate quinzenal com o primeiro-ministro, no Parlamento, em Lisboa.

De resto, Montenegro insistiu que, “de forma muito serena e tranquila”, está a ponderar uma candidatura à liderança do PSD, depois de Pedro Passos Coelho ter anunciado que não se recandidata a presidente do partido.

Uma decisão “depende apenas da avaliação que fizer”, assegurou, admitindo que está “a ouvir pessoas” e ”a pensar naquilo que é melhor para o PSD e para o país”.

"Tranquilo a fazer esse exercício"

Antes da tarde parlamentar, Luís Montenegro afirmou em entrevista à rádio TSF, que “tem a responsabilidade de fazer a ponderação, de ouvir muitas pessoas".

Estou muito tranquilo a fazer esse exercício", referiu, sublinhando que tem "uma liberdade total para poder decidir aquilo que achar melhor para o país" e para o PSD.

Questionado então, se a sua ponderação depende do avanço de outros candidatos como Rui Rio ou Paulo Rangel, Montenegro respondeu que o seu avanço "não depende de ninguém".

Depende da avaliação que eu vou fazer, estou muito tranquilo a fazer esse exercício", referiu, lembrando que passaram ainda poucas horas após o conselho nacional do partido de terça-feira à noite, no qual o presidente Pedro Passos Coelho anunciou que não se volta a candidatar ao cargo.

Rio "é expectável"

Especificamente sobre a eventual candidatura de Rui Rio, Luís Montenegro disse que, se avançar, o ex-presidente da Câmara do Porto "faz muito bem, é legítimo, expectável e muito positivo que o faça".

Bem sabemos que há um desses militantes que já tem uma ação que estava premeditada , que é o doutor Rui Rio", afirma, salientando que "há vários anos" que o ex-autarca "tem tentado criar condições para assumir liderança do PSD".

Sobre os resultados autárquicos, Montenegro admitiu que "o resultado foi mau", dizendo que as responsabilidades estão distribuídas pelas estruturas locais, mas "também pelas orientações nacionais".

Nas eleições autárquicas de domingo, o PSD perdeu oito lideranças de câmaras municipais, ficando com 98 presidências (79 sozinhos e 19 em coligação), mas em termos de votos e percentagem quase não houve variações, tendo conseguido, sozinho, 16,08% dos votos (em 2013 foram 16,70%).

No adeus ao Parlamento

Em julho, após seis anos a comandar a bancada parlamentar do PSD, Luís Montenegro saiu, sendo substituído por Hugo Soares.

Num jantar de despedida, sobraram os elogios de Passos Coelho, com o agora possível ou provável candidato a assumir que não pretendia a liderança do partido, enquanto o atual presidente lá estivesse.

À sucessão de Pedro Passos Coelho, começam a perfilar-se vários social-democratas. Rui Rio, antigo presidente da câmara do Porto, que foi secretário-geral do partido quando Marcelo Rebelo de Sousa o presidiu, deverá anunciar a candidatura dentro de dias.

O eurodeputado Paulo Rangel e o atual provedor da Santa Casa da Misericórdia e antigo primeiro-ministro, Santana Lopes, são outras das figuras que ponderam avançar para chefiar o partido mais votado nas úlitmas legislativas.