O líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, acusou o secretário-geral do PS de “intimidar jornalistas”, levando ao debate o SMS que António Costa enviou a um dos diretores-adjuntos do Expresso e recordando as críticas que os socialistas fizeram ao ex-ministro Miguel Relvas quando este foi acusado de pressionar o jornal Público.
 

“Quando António Costa tenta coagir, condicionar ou intimidar o exercício da liberdade de imprensa, o prenúncio merece uma denúncia clara. Onde está o PS que tanto fustigou o ex-ministro Miguel Relvas, que chamou ao Parlamento para explicar o conteúdo de um pretenso telefonema? Onde está esse PS? ”


Montenegro questionou então os deputados socialistas se Costa “tem a anuência do PS para intimidar jornalistas que escrevem coisas que ele não gosta”.

O deputado do PSD apelou ainda ao secretário-geral do PS que reconheça “humildemente este excesso”, ou “assuma a postura de arrogância democrática”, salientando que este episódio é revelador de “toda uma cultura de poder”.
 

“Onde estão as vozes que, muitas vezes de forma rápida e habitual, emergem para falar da liberdade de imprensa? António Costa tem um direito especial que outros não tiveram?”


No SMS enviado ao jornalista do Expresso, António Costa acusava-o de "insulto reles e cobarde" e perguntava qual a sua "legitimidade de julgar o carácter de quem nem conhece", reagindo a um texto sobre as propostas económicas do PS.
 

"Senhor João Vieira Pereira. Saberá que, em tempos, o jornalismo foi uma profissão de gente séria, informada, que informava, culta, que comentava. Hoje, a coberto da confusão entre liberdade de opinar e a imunidade de insultar, essa profissão respeitável é degradada por desqualificados, incapazes de terem uma opinião e discutirem as dos outros, que têm de recorrer ao insulto reles e cobarde para preencher as colunas que lhes estão reservadas. Quem se julga para se arrogar a legitimidade de julgar o carácter de quem nem conhece? Como não vale a pena processá-lo, envio-lhe este SMS para que não tenha a ilusão que lhe admito julgamentos de carácter, nem tenha dúvidas sobre o que penso a seu respeito. António Costa".


No artigo de opinião, João Vieira Pereira considerava que o plano macroeconómico do PS estava "muito mais à direita do PS do que seria de esperar" e acusava a liderança socialista de "falta de coragem".
 

"Nada como pedir a uns independentes que façam umas contas que não comprometem ninguém. Se correr bem o partido tinha razão. Se correr mal eram apenas umas ideias loucas de uns economistas bem-intencionados. Esta falta de coragem é a mesma que levou Sampaio da Nóvoa a avançar sozinho. Uma espécie de 'vai andando que eu já lá vou ter'. A política do tubo de ensaio. Cheia de falta de coragem e reveladora da ausência de pensamento político consistente".


Debate entre Passos e Costa? Só na campanha

O primeiro-ministro foi desafiado por Ferro Rodrigues a realizar um debate com António Costa, mas atirou esse confronto para o período de campanha eleitoral.
 

“Farei todas as discussões com António Costa, não tenho qualquer problema em relação a isso. Teremos campanha eleitoral e confrontaremos bem todas as nossas opiniões.”


Até lá, sustentou Passos Coelho, “o Parlamento fará o seu trabalho” e o primeiro-ministro não entrará em conflitos partidários.
 

“Não vou aqui abordar matéria de natureza partidária, porque não estou aqui como um chefe partidário.”


Antes, Ferro Rodrigues tinha deixado, já pela segunda vez, o desafio.
 

"António Costa certamente aceitará um debate consigo em qualquer uma das televisões. Hoje repito esse desafio, porque é preciso debater politicamente as vossas e as nossas propostas.”