O PSD defende que a atual governação conduziu a progressos sentidos pelos portugueses e invocou o anterior líder dos socialistas António José Seguro para criticar o atual secretário-geral do PS, António Costa.

No início das jornadas parlamentares do PSD, Centro de Congressos da Alfândega do Porto, as declarações que António Costa fez perante investidores chineses sobre a evolução do país foram repetidamente lembradas, tanto para lhe atribuir «a sinceridade de reconhecer publicamente que o país está melhor» como para o acusar de mudar de mensagem consoante «a plateia que tem pela frente».

Esta última acusação foi feita pelo líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, que citou para o efeito uma frase do anterior líder do PS: 

«Uma das coisas que os portugueses rejeitam são os políticos que dizem uma coisa em público e outra em privado. Quando António José Seguro disse isto sobre António Costa, sabia o que dizia. Hoje, os portugueses também já sabem que António Costa fala, não em função daquilo que pensa, mas em função da plateia que tem pela frente».


Por sua vez, o vice-presidente e porta-voz do PSD Marco António Costa alegou que o secretário-geral do PS foi «sincero» quando agradeceu aos chineses o seu «grande contributo para que Portugal pudesse estar hoje na situação em que está, bastante diferente daquela em que estava há quatro anos», e prometeu «ajudar» António Costa.

Após reclamar que «efetivamente, o país de hoje está muito melhor do que aquele que havia em 2011», e que as «boas notícias» se transformaram mesmo em «banalidade», o porta-voz do PSD declarou:
 

«Por muito que o critiquem dentro do PS, António Costa tem em nós um apoiante para o ajudar a defender aquilo que afirmou, porque ele tem razão, e quem tem razão não merece ser atacado internamente. É bom que ele saiba que não está sozinho, por muitas demissões que haja dentro do PS, por muitas vozes que se levantem para tentar calar, por muitas tentativas que façam para lhe fazer a ele o que fizeram a António José Seguro em muitos momentos não o deixando como secretário-geral de ter a liberdade de fazer as escolhas que eram melhores para Portugal».


Por outro lado, António Costa foi acusado de não apresentar propostas concretas, e Luís Montenegro contestou o argumento de que «primeiro precisa de as negociar com os parceiros na União Europeia». «Para quem tem andado aí a acusar o nosso Governo de ser tão submisso à Europa e às principais economias europeias, eu creio que é mesmo o cúmulo da submissão», considerou.

Na sua intervenção inicial, o líder parlamentar do PSD prometeu para as «próximas semanas» a apresentação de medidas de estímulo à natalidade, elaboradas com base nos relatórios das comissões parlamentares. 

No que respeita à Grécia, Luís Montenegro afirmou que nem o Governo grego nem o Syriza são «adversários» do PSD, enquanto Marco António Costa traçou paralelos entre os programas de apoio alimentar e ao pagamento de energia da Grécia e de Portugal, atribuindo à oposição «dois pesos e duas medidas» nestas matérias.

Luís Montenegro aproveitou esta ocasião para considerar que teve razão há um ano quando disse que Portugal estava «muito melhor», mas que a vida das pessoas ainda não tinha melhorado - opinião secundada por Marco António Costa.

Os dois dirigentes sociais-democratas sustentaram que «as pessoas hoje já sentem na sua vida essa melhoria», referindo como fatores dessa melhoria a recuperação de rendimentos dos funcionários públicos, a subida do salário mínimo, o aumento do emprego e a diminuição dos impostos em função do número de dependentes das famílias.